A corrupção nos mostra faces ainda mais deletérias, atinge níveis inimagináveis e parece estar arraigada no âmago das administrações públicas.
O orçamento apertado para atender os cerca de seis mil habitantes da pequena Jaraguari não pareceu limitação para que políticos do pequeno município também fossem seduzidos pela possibilidade de obter recursos ilícitos. Pelo menos R$ 8 milhões teriam sido desviados somente em obras públicas, por meio de esquema de fraude em licitação. As irregularidades foram descobertas pela Polícia Civil, que deflagrou operação ontem, cumprindo 20 mandados de busca e apreensão.
A cada dia, a corrupção nos mostra faces ainda mais deletérias, atinge níveis inimagináveis e parece estar arraigada no âmago das administrações públicas. Os brasileiros sentem-se decepcionados com as ilicitudes que não param de avançar. Ao menos, a proximidade das eleições representa uma possibilidade de tentar reverter esse mal. Diante de tantas irregularidades, porém, é inevitável o receio de que os problemas repitam-se.
Nos últimos anos, os brasileiros têm sido surpreendidos com “enxurrada” diária de escândalos, principalmente relacionados à Operação Lava Jato. Investigações descobriram esquema de desvio de verbas envolvendo políticos de alto escalão e grandes empreiteiros. Os cofres da Petrobras foram surrupiados por anos, com obras superfaturadas e contratos irregulares. Milhões obtidos irregularmente eram destinados para financiar campanhas eleitorais, o conhecido “caixa 2”.
As empresas também acabavam beneficiadas com a fatia da propina e até mesmo com os vultuosos contratos, suficientes para garantir a expansão dos negócios. Envolvidos foram para a prisão, alguns fizeram acordos de delação premiada e, aos poucos, revelavam a dimensão inimaginável dos casos de corrupção. As apurações atingem desde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente afastada Dilma Rousseff (julgada em processo de impeachment), senadores e deputados federais.
Pensava-se que as punições feitas e os esquemas revelados - que contribuíram para queda da presidente da República - pesassem para, ao menos, intimidar os atos ilícitos espalhados pelas gestões públicas em diferentes municípios e estados brasileiros. Infelizmente, não parecem ter sido suficientes. A corrupção ainda serve como artifício para perpetuação do poder, independente de seu alcance, e por isso precisa ser combatida em todos os níveis.
Desde a mudança de comportamente no cotidiano - algo que envolve todos os cidadãos - aos representantes públicos. O intuito de manter-se no controle - por meio de reeleição ou apoio a aliados - tem sido a motivação mais frequente para desfalcar os cofres públicos, o que demonstra como as restrições impostas pela modificação na lei eleitoral ainda são insuficientes para evitar fraudes.
A generalização jamais pode ser aplicada. Sempre haverá exceções, caso contrário estaríamos sucumbidos à completa desesperança. No caso dos políticos, caberá aos eleitores a difícil missão de tentar encontrar esses diferenciais, algo que exigirá ampla análise antes de definir o voto. Só assim, será possível evitar a repetição de tantas transgressões.