Tal qual bater em ferro frio numa bigorna é tentar desmistificar as falácias atribuídas à crise, e as tentativas despropositadas em justificar que se trata de uma exclusividade brasileira, por formadores de opinião pública tendenciosos em entrevistas nos meios de comunicação responsabilizando pessoas por fenômenos naturalmente incontroláveis como a mundialização do capital, a expansão migratória, a privatização do estado, concentração de renda, as necessidades sociais e as pressões financeiras sobre a dívida soberana.
Ninguém afirma que crises econômicas não existem e muito menos que elas perdurem, mas sabemos que ela são cíclicas e na maioria das vezes, como em um tufão, aparecem, causam desarranjos, e somem e por essa razão não podem ser atribuídas a uma pessoa, a um governo, a um partido. Trata-se de um conjunto de eventos por vezes prognosticados, mas diagnosticados somente após o ocorrido.
Sendo as “commodities” no mercado internacional privilegiadas com o aumento dos preços, e a crescente demanda da China, a nossa economia primária foi beneficiada pelas exportações relacionadas a essa parceria, em especial para a soja, minérios, café e petróleo.
O trabalho de casa estava sendo feito, e ensejou a liberação de créditos assim como a criação de empregos, aumentando a distribuição de renda e a conseqüente expansão do consumo. O país ganhava crédito e importância nas relações diplomáticas, sendo reconhecido por tirar 40 milhões da pobreza colocando-os em um novo patamar- a nova classe média emergente, capaz de gerar o consumo necessário ao desenvolvimento das atividades econômicas.
A partir das crises no mercado mundial e em especial o americano, o Brasil ainda estava longe de se ressentir pelos efeitos econômicos danosos. Em casa, o ressentimento viria pela troca de comando governamental, que já estava a duas gestões já se configurando uma eternidade e manutenção do poder inaceitável pelos oposicionistas. A economia de então, bem sucedida, daria a credibilidade e continuidade das políticas sociais, resultando numa vitória eleitoral compromissada.
O estímulo ao consumo e a forte demanda por produtos em 2010 não foram acompanhados pelo crescimento na produtividade e a indústria nacional como sempre não acostumada a concorrência e competitividade e sim aos subsídios e as reservas de mercado, falhou como no “cruzado”, mas desta vez culpando a invasão de produtos importados da China.
Alguns economistas sustentam que a dívida pública brasileira (66%) em 2015, menor que a da Grécia (179%) e do Japão (229%), foi resultado de subsídios inadequados (?) e gastos exagerados, e não propriamente da desaceleração da economia chinesa com a queda dos preços do ferro (80%), do petróleo (60%), e afirmam que foi dada ênfase ao consumo ao invés da produtividade embora reconheçam que isso resultou na distribuição de renda.
Alguns advogam que as investigações da Lava-Jato sobre a corrupção envolvendo autoridades aumentam as incertezas e o risco político contribuiu para a paralisação da economia; outros acham que apesar de benéfica para a transparência do sistema, colocam em desconfiança a aplicação de investidores externos.
De todas as assertivas podemos dizer que as medidas saneadoras não só paralisaram as principais obras do País, como deixarão o legado do engessamento do estado, os futuros prejuízos a serem contabilizados por conta das demissões, indenizações, desempregos e falências dos municípios, como aqueles relacionados aos incentivos petrolíferos e a duvidosa retomada das obras, com acordos de leniência e seus superfaturamentos nos aditamentos legais.
Os noticiários atualmente dão conta que a crise está se dispersando com uma recuperação leve da economia, a retomada dos empregos, o aumento nos níveis da produção industrial, a procura de passagens e hotéis na área de turismo, e que a credibilidade dos investimentos retorna, colocando o dólar em patamar aceitável, privilegiando as exportações, tudo dando indícios o governo interino está sendo eficaz nas suas ações preliminares como se fosse uma absoluta verdade.
A segunda fase das afirmações falsas e golpistas está em andamento, para o convencimento que a solução está nas reformas trabalhista e previdenciária como se tais áreas fossem as responsáveis pela crise e pela falta de credibilidade, quando na verdade a reforma necessária é política e se dará a partir das próximas eleições a ser realizada por nós mesmos.