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João Batista Pereira: A síndrome do complexo de vira-lata

João Batista Pereira é Advogado

Redação

15/08/2016 - 01h00
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Complexo de vira-lata” é uma expressão criada pelo dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues, a qual originalmente se referia ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pela Seleção Uruguaia de Futebol na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. O Brasil só teria se recuperado do choque (ao menos no campo futebolístico) em 1958, quando ganhou a Copa do Mundo pela primeira vez.[1]

“Por “complexo de vira-lata” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima. (Wikipédia)”

As tiradas (frases) de Nelson Rodrigues continuam atuais e verdadeiras. Nelson, torcedor fanático do tricolor carioca (Fluminense), assim como é o signatário deste artigo, prestes a completar oitenta anos de idade ouvindo desde criança que aprenderemos com as potências esportivas. Até quando? Ou somos burros ou coniventes com as safadezas. País com vasto território, com mais de duzentos milhões de habitantes, sexta economia mundial perde no quadro de medalhas para pequenas Nações. Na Olimpíada tem desculpas inapropriadas. Enquanto países sobem no quadro de medalhas o Brasil desce. Não é surpresa, pois descemos na educação, na saúde, na segurança pública. 

Temos um pódio merecidíssimo: campeão em corrupção. O dinheiro some para as atividades esportivas e para outras necessidades da vida cotidiana. Não fosse a determinação dos treinadores retirando dinheiro do próprio bolso, Rafaela, medalha de ouro, não teria condição de lutar em igualdade. O auxílio militar é precioso porque conta nos seus quadros com Rafaela e outros que conquistaram medalhas. E as Universidades? 

O atleta desclassificado não pode se sentir feliz com a última colocação. Abaixaremos sempre a cabeça para endeusar os outros? Reconhecer o mérito do vencedor e aplaudi-lo é civilizado, mas para por aí. Contenta-se com muito pouco e o anfitrião vai se envergonhar porque as medalhas serão minguadas.
Perdemos duas Copas do Mundo de futebol dentro de casa contra o Uruguai, uma fatalidade; e o vexame dos 7x1 aplicado pela Seleção Alemã é de chorar e inesquecível. Nem a Copa do Mundo nem a Olimpíada deveriam acontecer neste país. Os bilhões seriam destinados à população que sofre com a precariedade das instituições. Mas nada impede de enaltecer, elogiar e agradecer nossos atletas lutando com a força de seus corações para colocar o Brasil no mais alto patamar esportivo. Parabenizar pela festa inaugural onde a beleza e as mensagens provocam elogios e profunda reflexão pelo Mundo. 

O senhor Múmia, “ops”, erro na digitação, desculpem. O senhor Nuzman está à frente do Comitê Olímpico há vários anos. É característica dos dirigentes perpetuaram-se no cargo: João Havelange, Ricardo Teixeira, Cesário e outros presidentes de Federação. O time do Luverdense de Mato Grosso está na série B. No brasileiro, não fosse juiz caseiro ao expulsar Marion no início do jogo contra o São Paulo o Operário teria disputado o título de campeão. Atualmente Comercial e Operário não passam da Série D. Mato Grosso do Sul têm representantes na Olimpíada Talita no vôlei, João de Deus na natação, Rafael o “Baby” no Judô, medalha de bronze, e outros. Com certeza contam com ajuda dos pais, parentes, amigos e muito pouco do poder público. Não há Arena onde possam treinar e fazer o intercâmbio.

“Correio do Estado 12/08/16- Coluna Cláudio Humberto.” “Oportunismo – A quase ex-presidente Dilma tenta pegar carona com brasileiros nas Olimpíadas. Pelo twitter, ela atribui as medalhas aos “investimentos” do governo. Muita ralação, sangue, suor e lágrimas são meros detalhes.” (sic). Eis aí o começo do fracasso. Pedindo perdão ao saudoso e inesquecível Nelson Rodrigues o “complexo de vira-lata” não pode ser atribuído ao atleta brasileiro e sim aos dirigentes deste país em todos os níveis esportivos ou não.

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