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José Carlos de Oliveira Robaldo: Olimpíada – algumas reflexões

José Carlos de Oliveira Robaldo é Procurador de Justiça aposentado, advogado, mestre em Direito Penal pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e professor universitário

Redação

21/08/2016 - 01h00
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No término da primeira Olimpíada da América do Sul, com mais de 200 países e uma delegação de refugiados participando, já se podem fazer algumas reflexões, sobretudo, na nossa óptica, a começar pela abertura, que foi elogiada inclusive pela unanimidade da imprensa internacional.

As preocupações eram muitas, a começar pela organização e a conclusão das inúmeras obras inacabadas. Mas o que mais inquietava, e por isso o maior temor, seria sobre eventual ataque terrorista. Felizmente, até o momento, esse atentado contra a humanidade não se concretizou e rogamos que não venha a ocorrer e que, consequentemente, não venha apagar o brilho dessa festa de confraternização mundial. Desse abraço entre as nações. A paz e o respeito ao ser humano é a maior e melhor medalha que se espera desse maravilhoso encontro.

Cremos ser possível afirmar desde já que esse sucesso contra o terrorismo deve-se ao preparo do País com a ajuda da inteligência de outros vários países. Em relação à prisão de vários suspeitos, conforme amplamente divulgada pela imprensa, conquanto tenha sido objeto de críticas de alguns, não há dúvida de que, em face das evidências também divulgadas pela mídia, foi uma excelente ação preventiva das autoridades brasileiras e que encontra respaldo na Constituição Federal, em especial no princípio da proporcionalidade ou razoabilidade. O sacrifício do direito fundamental de ir e vir, em função da defesa do direito maior, que é a vida, a incolumidade pública, etc., encontra-se justificado, sobretudo, em face do contexto. 

As competições já acabaram para muitos países, mas, com certeza, não o registro de receptividade e das belezas da cidade do Rio de Janeiro. Esses legados ficarão gravados indelevelmente nas memórias dos competidores, das delegações e dos turistas.

É inconteste que, ao longo desses dias, nem tudo foi perfeito. A lamentável morte do policial militar de Roraima Helio Vieira Andrade, da Força Nacional, baleado ao entrar por engano na comunidade do Complexo da Maré, no RJ, conquanto não tenha ligação direta com os jogos, não há dúvida de que maculou o brilho dessa festa esportiva, assim como as lesões corporais provocadas pela queda da câmera no Parque Olímpico; alguns roubos, sem grandes proporções, praticados contra turistas, em algumas vias públicas da cidade do Rio de Janeiro; e ainda as falhas de informações quanto aos locais de alguns eventos. 

E as medalhas! Bem, a conquista ou não de medalhas deve ser analisada em uma perspectiva sob várias dimensões. A primeira conquista para qualquer atleta, e que merece nossos aplausos, é o fato de ter conseguido a classificação ou escolha (competição coletiva) para fazer parte dessa elite. Quanta luta e sacrifício, sobretudo, em alguns países em que o atleta nem sempre recebe o apoio que merece, isso tudo aliado a outros fatores circunstanciais de momento. Afinal, o(a) atleta não é uma máquina/robô, é um ser humano. A medalha passa a ser uma mera consequência desse contexto. 

Há muitas pesquisas sobre as causas do desempenho de atletas, mas uma explicação é recorrente: educação, em especial a educação integral. A pergunta que está sempre presente quando se compara o Brasil aos EUA, dois países de extensão continentais e altamente populosos: por que tanta diferença? Enquanto os norte-americanos estão em primeiro lugar na conquista de medalhas na atual Olimpíada, o Brasil está lá em baixo (manhã de quinta-feira), em 17º. Uma das causas apontadas por especialistas desse fracasso está no fato de que lá o esporte, especialmente o atletismo e alguns coletivos, começam nas escolas, nas universidades, enquanto aqui, nos clubes, porém, desde que seja sócio.  

Potencial e empenho não faltam aos nossos atletas, as suas atuações nas várias competições até aqui espelham essa realidade. 

Enfim, esperamos que nada de anormal aconteça até o fim desses jogos e que muitos exemplos sejam extraídos não só para apoiar e preparar melhor nossos atletas, assim como corrigir os erros e se preparar para o futuro. E mais, não esquecer de cuidar melhor do Rio de Janeiro, para não perder a medalha de Cidade Maravilhosa. Orgulho não só do carioca, como de todos os brasileiros.

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