O anseio por liberdade era latente nos países sob o jugo do comunismo que culminou na derrubada do Muro de Berlin em 9 de novembro de 1989, mas um evento anterior de manifestação coletiva não pode ser esquecido, ocorrido nesse mesmo ano, no dia 23 de agosto.
Expressiva corrente humana com aproximadamente dois milhões de pessoas se deram as mãos por três países em repulsa à ocupação soviética iniciada em 1940, decorrente do Pacto Molotov-Ribbentrop; aliança assassina entre Hitler e Stalin, responsáveis por milhões de mortos no mundo, sob os símbolos da suástica e da foice e martelo. Acordo assinado em 23 de agosto de 1939.
Cinquenta anos de sofrimento, odiosa repressão, trabalhos forçados, repatriação, assassinatos em massa e revolta silenciada, mas sedimentada. Nada diferente do que outras nações sofreram; algumas ainda vivem as agruras desse regime e outras são alvos de aventuras tipo “socialismo do século XXI”. Bolivariano, chavista-cubano, Foro de São Paulo, cartilha de Dilma, Lula e o petismo.
Canto da sereia no imaginário e nivelamento por baixo, na realidade. Ao invés de gerar igualdade de oportunidade, motivar o crescimento por mérito e assistir nas adversidades e deficiências.
Como a doutrina marxista é a da pressão e esta tem limite no ser humano, como registrado pela História, a reação se fez presente e se alastrou. Riga, Letônia, 14 de junho de 1987, cerca de 5.000 manifestantes se reuniram junto ao Monumento da Liberdade em homenagem às vítimas do regime soviético e pelo anseio de independência nacional.
Reverenciaram a memória daqueles que foram deportados para a Sibéria em 14 de junho de 1941, deixando profunda cicatriz nas famílias e na sociedade. Removidos cerca de 15 mil residentes, sendo 1.614 com menos de sete anos. Aspiração de romper com o compromisso apátrida da soberania limitada.
As iniciativas dos estados bálticos — Estônia, Letônia e Lituânia — repercutiram em outras manifestações havidas em Berlin, Leningrado, Moscou, Melbourne, Estocolmo, Toronto.
Os protestos frutificaram. A repercussão internacional da luta conjunta deu impulso aos movimentos democráticos em outros lugares do mundo, exemplo positivo para países que almejavam independência e, que acelerou o processo de reunificação da Alemanha.
As cicatrizes deixadas pelas atrocidades cometidas pelos comunistas acarretaram reações naturais por todos que sofreram perseguições e maus tratos nos campos de concentração e óbvio por parte da sociedade, familiares que viram filhos, mães, pais, irmãos, vizinhos padecerem sob a matriz soviética, e se sentiram na obrigação de reverenciá-los.
A Declaração de Praga, assinada em 3/06/2008, iniciativa do governo tcheco e assinada por políticos, ex-presos e historiadores proclamou a condenação dos crimes do comunismo na Europa. Como o nazismo deixou rastros de desumanidade do mesmo porte, o Parlamento Europeu em 23/09/2008, estabeleceu o dia 23 de Agosto, como o Dia da Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo, considerando os crimes contra a humanidade e a necessidade de uma condenação internacional aos regimes comunistas totalitários, “a fim de preservar a memória das vítimas das deportações e dos extermínios em massa, enraizando, ao mesmo tempo, mais firmemente a democracia e reforçando a paz e a estabilidade no nosso continente;...”
Em alguns países, o dia da Memória foi formalmente adotado por lei: Suécia, Estônia, Letônia, Lituânia, Bulgária, Croácia, Polônia, Hungria, Eslovênia, Canadá, Geórgia, Estados Unidos.
E o Brasil não vai repudiar o abominável Pacto Molotov-Ribbentrop?