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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado: "Estragos previsíveis"

Confira o editorial deste sábado: <br>"Estragos previsíveis"

Redação

03/09/2016 - 03h00
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As chuvas leves e atípicas de agosto servem apenas de alerta para que os gestores não esqueçam da prevenção que deveria estar sendo feita justamente nesta época.

As chuvas do mês de agosto ficaram acima da média, em quantidade suficiente para amenizar a estiagem, mas sem causar qualquer prejuízo mais significativo. Infelizmente, nem sempre é assim. Com frequência, todos os anos, acompanhamos casas inundadas, crateras abertas por falhas em estruturas de drenagem e ruas transformarem-se em rios.

Há, ainda, a situação deplorável das vias da cidade, que passam a contar com ainda mais buracos. Surpreende que, apesar dos problemas crônicos, pouco seja feito para evitar que os estragos repitam-se. Atualmente, não se fala em obras para contenção de enchentes na cidade e nem mesmo medidas simples, como limpeza de bueiros, são feitas regularmente. Gestores continuam a propor soluções tardias, ignorando a possibilidade de projetos preventivos para amenizar os danos. 

 Neste contexto, a situação que mais indigna está relacionada à Avenida Ernesto Geisel. No trecho próximo a Avenida Manoel da Costa Lima, o asfalto desmorona a cada chuva, mesmo existindo verba disponível para a obra de revitalização das margens do Rio Anhanduí, o que impediria o avanço dessa erosão. O descaso, porém, permanece.

Licitações foram abertas, mas não foram concluídas. Seria evidente a necessidade de corrigir eventuais falhas em projetos ou nos valores orçados, mas a administração municipal permanece omissa. Nessa mesma via, outro ponto crítico. Por repetidas vezes, o cruzamento com a Rachid Neder foi encoberto com a enxurrada e carros foram arrastados pela água. Inevitável o receio diante das precipitações mais fortes, que começam, geralmente, a partir de novembro. Não há qualquer plano para evitar esse mesmo transtorno. 

Basta percorrer outros pontos da cidade para perceber o desleixo. Às margens do Córrego Prosa, por exemplo, as barreiras de contenção desmoronam e ficam caídas, sem qualquer previsão de manutenção. Alagamentos são frequentes ainda na região do Santo Amaro, onde o reflexo do desleixo também aparece. No último mês, a Defensoria Pública pediu sequestro de R$ 252 mil da Prefeitura de Campo Grande para pagar a limpeza dos bueiros obstruídos por lixo e entulho. A administração municipal não cumpriu decisão de promover a limpeza, descumprido a determinação feita ainda em 2015. Providências simples, que deveriam ser rotineiras,  são ignoradas. 

 Nesta mesma linha de negligência, incluem-se os buracos espalhados pelas diversas ruas da cidade. Em agosto do ano passado, os trabalhos foram suspensos e acabaram retomados justamente no período de chuvas fortes. Os reparos continuam em ritmo lento, com apenas duas das sete empresas que fazem tapa-buraco. E, para piorar, o serviço continua ineficiente. Nos últimos dias, o Correio do Estado mostrou que estavam escolhendo os buracos a serem cobertos na Avenida Eduardo Elias Zahran. Depois, na região do Tiradentes, o tapa-buraco estava sendo feito pela metade. Ou seja, fiscalização ainda não funciona, algo que, espera-se, seja corrigido na licitação que está em andamento.

O cenário exposto demonstra a dimensão das preocupações e dos problemas que poderemos ter em breve. As chuvas leves e atípicas de agosto servem apenas de alerta para que os gestores não esqueçam da prevenção que deveria estar sendo feita justamente nesta época. Não dá para contar com a sorte e tentar remediar somente quando os estragos voltarem a aparecer. Sabe-se, desde já, que não será possível culpar apenas os infortúnios meteorológicos. Os danos já eram previstos há bem mais tempo.    
 

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