Muitos guardam em sua memória a imagem daqueles colégios e internatos dirigidos pelas irmãs, ou pelos irmãos. Uns guardam belas recordações e lindas imagens. Outros não tão agradáveis por razões as mais diversas. Mas foram instrumentos na formação cultural e espiritual de muitas personalidades e muita gente do povo simples.
Essas imagens ficam gravadas na história da humanidade. Hoje sobram os edifícios vendidos ao governo ou confiados aos leigos com alguma presença de algum religioso. Pois o número dos religiosos e religiosas diminuiu enormemente. Os que existem se voltam mais para o trabalho pastoral e missionário.
E o número de vocacionados para esse serviço está diminuindo. E em algumas regiões praticamente não existe. O mundo oferece opções mais atraentes e mais lucrativas. É mais fácil e rendoso freqüentar cursos profissionalizantes do que eclesiásticos.
Vivemos numa sociedade consumista. A luta gira em torno do ter e não do ser. Querem ter sempre mais e melhor, sejam quais forem os meios. Às vezes passam dos limites da ética e da moral em busca de um lugar de estabilidade econômica ou política. A religião não tem mais influencia nas decisões e nas escolhas. Correm atrás do ouro não importando o caminho.
Apesar dessa sociedade materialista e hedonista ainda encontramos jovens que decidem apostar suas esperanças e seus ideais numa vida mais simples e mais ligada ao sagrado. Não se deixam seduzir pela ganância do ter. Cultivam os valores do ser: ser alegres, ser fraternos, ser missionários, ser profetas, ser solidários com os que sofrem, ser misericordiosos como os que erram e ser esperança para os que se encontram perdidos.
Ainda existem homens e mulheres que decidem renunciar aos prazeres do mundo e abraçar os prazeres da fé. Decidem renunciar às riquezas mundanas e cultivar as riquezas da graça de Deus. Decidem não se deixar corromper pelo poder e revestem-se de humildade em servir.
Não é fácil entender essas atitudes. Não é fácil aceitar essas realidades. Não é fácil acreditar nessas decisões. Mas são realidades de nossos dias. São pessoas de nossa sociedade que ouvem o chamado de Deus e conscientemente decidem viver de uma maneira mais simples contrariando os conceitos comuns de felicidade e de alegria.
Sua felicidade e sua alegria se encontram no exercício diário de partilhar as realidades sobrenaturais do amor e da fidelidade. Pelo amor consolidam uma aliança de comunhão fraterna. Pela fidelidade se entregam incondicionalmente nas mãos de Deus e seguem o caminho escolhido sabendo que podem contar com a proteção divina.
Ainda existem esses homens e essas mulheres desafiando os conceitos comuns de realização. Colocam a paz com Deus acima de qualquer outro prazer. Não temem sacrifícios, pois amam desafios. Não lhes incomodam as riquezas materiais, pois constroem para si um tesouro que as traças não corroem e os ladrões jamais roubam. Pois são riquezas do coração que ama e confia plenamente em Deus.