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Editoral desta segunda-feira: "Cenário de contradições"

Editoral desta segunda-feira: "Cenário de contradições"

Redação

05/09/2016 - 00h00
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Enquanto para algumas famílias falta o básico, o desperdício continua nos esquemas de corrupção no aís ou pelos recorrentes equívocos administrativos.

Vivemos num cotidiano permeado de contrassensos. Enquanto para algumas famílias falta o básico, o desperdício continua em diversos setores - seja pelos esquemas de corrupção no País, pelos recorrentes equívocos administrativos ou pela ineficiência em gerar oportunidades de emprego. As injustiças sociais remontam a problemas históricos e à necessidade de revisar uma série de medidas, diretrizes e até mesmo comportamentos. Há, porém, algumas soluções imediatas que poderiam melhorar o cotidiano da população carente, mas que, inexplicavelmente, são adiadas. Não bastasse a completa estagnação de projetos de habitação nos últimos anos, a Prefeitura de Campo Grande deixa 536 casas prontas, mas não entrega as moradias. Enquanto isso, a quantidade de favelas só aumenta. 

A maior discrepância ocorre ao analisarmos as dificuldades enfrentadas pelos moradores da favela Cidade dos Anjos, no Jardim das Hortências. A maioria das famílias - que nesse último fim de semana voltou sofrer com frio e chuva - foi contemplada em sorteio, feito ainda em junho deste ano, com apartamentos no Jardim Canguru. Os prédios estão prontos. A pendência estaria relacionada a documentos que a administração municipal precisa entregar ao Banco do Brasil, que financia a obra. Enquanto providências administrativas simples são proteladas ou até mesmo negligências, famílias permanecem em barracos - submetendo-se a uma condição de vida deplorável que, infelizmente, só vem aumentando em Campo Grande.

Atualmente, são dez favelas na cidade. E até mesmo para “construir” um barraco há injustiças, pois moradores denunciam esquema de vendas para autorizar a permanência de novos moradores, como mostrou reportagem divulgada pelo Correio do Estado no último fim de semana.  Há ainda o impacto da recessão econômica, pois  pessoas que perderam emprego não conseguiram mais manter o pagamento de alugueis e apelaram às ocupações de áreas públicas para, ao menos, ter um teto. Aparece aqui outra face da desigualdade, em que a população mais humilde acaba duramente castigada diante da crise econômica. Perderam o pouco que tinham. Os gestores precisam, com urgência, voltar a criar oportunidades de emprego, contrapondo o cenário de estagnação que atinge o setor de habitação e vários outros que dependem da administração pública. 

Infelizmente, a lista de incoerências continua a aumentar, incluindo aí obras de Centros de Educação Infantil (Ceinfs) paralisadas e necessidade urgente de mais vagas. Há ainda, as construções de novos postos de saúde que acabam tendo pouca serventia se não houver aumento na quantidade de médicos contratados. São contradições que refletem a falta de planejamento, tal qual ocorre no País com as várias reformas apontadas como “soluções” para salvar o Brasil da crise. O trabalhador teme, novamente, ser impactado e ter de pagar essa conta.

O caminho para corrigir as distorções, de questões amplas a simples, inclui responsabilidade de gestão e combate ao desperdício de dinheiro público, o que distoa completamente do cenário de casas prontas e moradores esquecidos em barracos. 

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