Permanecemos, por enquanto, com a promessa de um paliativo pífio para tentar, ao menos, amenizar um problema permanente.
Mais uma operação para combate ao tráfico de drogas em que Mato Grosso do Sul aparece como principal porta de entrada ou como entreposto para arremessas de cocaína ou maconha repassadas a outros estados. Ontem, o alvo foi grupo que agia em Campo Grande e servia como base para repassar entorpecentes a outros criminosos de Goiás e do Distrito Federal. Nos últimos meses, traficaram pelo menos 5,7 toneladas de maconha, passando pelas rodovias do Estado.
Recentemente, foram desarticuladas outras organizações com ramificações no Estado, que comandavam tráfico no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já se tornaram rotineiras as ações policiais em que sempre aparecem integrantes de quadrilhas atuando nos municípios sul-mato-grossenses. Demonstra-se, assim, a fragilidade da segurança na região fronteiriça e até mesmo do policiamento dentro das cidades, onde toda movimentação criminosa é feita sem levantar suspeitas aos investigadores. A cobrança de investimentos feitos pelo Governo Federal precisa ser constante, mas isso não exime o Estado de também arcar com suas responsabilidades.
Essa intensa rede criminosa é justificada por nossas peculiaridades geográficas, decorrente das fronteiras com Paraguai e Bolívia, de onde saem os entorpecentes que abastecem a maior parte do Brasil. Assim, como reiterado outras vezes, o Governo Federal teria obrigação de investir ainda mais na segurança nessas localidades.
O governador Reinaldo Azambuja esteve nesta semana em Brasília, onde reuniu-se com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e recebeu a garantia de que o efetivo da Força Nacional será reforçado depois das Paralimpíadas, no Rio de Janeiro, que seguem até o dia 18 deste mês. Infelizmente, não há informações sobre quantos policiais serão deslocados e nem quanto tempo deverão permanecer. Corre-se risco que, diante de outro grande evento ou emergência em outro estado, o efetivo seja deslocado. Permanecemos, por enquanto, com a promessa de um paliativo pífio para tentar, ao menos, amenizar um problema permanente. Claramente, estamos longe da solução esperada.
Os investimentos feitos até agora são insuficientes diante do poder de atuação das quadrilhas. Muitos planos demoram tempo demais para sair do patamar de promessas, total desvantagem com a celeridade dos criminosos. Na campanha eleitoral, o governador falou por diversas vezes da necessidade de reforçar efetivo na fronteira abandonada, mas ainda está longe de atingir suas metas, pois depende quase exclusivamente do Governo Federal para concretizá-las.
Pede-se de reforços nos efetivos à divisão das contas dos presos federais, detidos em Mato Grosso do Sul apenas porque estavam usando o Estado como corredor do tráfico. Reivindicações coerentes, mas que demoram a ser atendidas. Não adianta “sentar e esperá-las”.
Outra promessa refere-se ao scanner, equipamento de raio-x que ajudaria a identificar os produtos ilícitos mascarados nos veículos. Os aparelhos raramente são usados e a parceria com Polícia Rodoviária Federal para auxiliar na manutenção ficou apenas em discurso. Certamente, há necessidade de cobrar investimentos da União. Utopia imaginar que sairá da histórica negligência em tão pouco tempo. Por isso, é preciso agir - com operações e reforço de fiscalização para evitar que a onda de insegurança avance e o tráfico continue a dominar ou ampliar suas ramificações em mais municípios de Mato Grosso do Sul.