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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste domingo: "Rotina de improvisos"

Confira o editorial deste domingo: <br>"Rotina de improvisos"

Redação

11/09/2016 - 03h00
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O prejuízo existe, mesmo que essa retenção (da maca) ocorra apenas por algumas horas. O socorro a uma vítima de acidente pode ser comprometido.

Sem leitos suficientes para atender a demanda de pacientes, funcionários de hospitais de Campo Grande precisam apelar ao improviso. Há anos, a alternativa tem sido “internar” os pacientes nos corredores, nas macas das ambulâncias. O paliativo, porém, resulta em outro problema. As viaturas de socorro, principalmente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ficam impossibilitadas de prestar outros atendimentos. Em síntese, “cobre-se um santo para despir outro”.

O problema mais grave ocorre no Hospital Regional, como mostra reportagem publicada na edição de hoje. O diretor do local, Justiniano Vavas, confirma a retenção e culpa o problema da superlotação, principalmente porque os postos de saúde não dispõem de médicos e estrutura suficientes. Entretanto, nega que esse período seja superior a 48 horas.

O prejuízo existe, mesmo que essa retenção ocorra apenas por algumas horas. Nesse breve período, o socorro a uma vítima de acidente, por exemplo, pode ser comprometido caso outras viaturas já estejam em atendimentos. Sabe-se que, em se tratando de urgências, minutos são preciosos.

Por isso, é tão preocupante que essa prática continue, por mais que seja justificada como alternativa para minimizar a falta de leitos. Ano passado, o Ministério Público Estadual abriu inquérito para investigar a denúncia das ambulâncias paradas porque as macas ficaram retidas. Inexplicavelmente, os procedimentos foram arquivados sem que qualquer solução fosse apresentada. 

Obviamente, não se trata de um problema facilmente solucionado. A mudança dependerá de investimentos do poder público para garantir mais estruturas nos hospitais e até mesmo para reforçar o atendimento nos postos. Mas, causa estranheza que, antes de qualquer tentativa de formalizar acordos ou cobrar soluções, os procedimentos acabem arquivados pela instituição que tem esse dever de fiscalizar, investigar e, caso haja necessidade, acionar a Justiça.

Em junho deste ano, o Correio do Estado noticiou que as duas promotorias especializadas em saúde pública da Capital tinham 194 inquéritos ou procedimentos instaurados para investigar falhas e eventuais irregularidades na área, durante a gestão Alcides Bernal. Diante desse número expressivo, tem-se a impressão inicial que muito trabalho está sendo feito e que todos os dramas enfrentados pela população na rede pública não estão negligenciados. Aos poucos, essa ideia é desfeita, quando nos deparamos com arquivamentos injustificáveis, enquanto perdem-se tempo com casos que não dão resultado.

É preciso foco. Abrir investigações quando realmente existirem evidências e seguir em frente nessas cobranças. Certamente, não faltarão problemas. Infelizmente, funcionários do Samu continuam “implorando” para obter a maca de volta porque, simplesmente, dependem dela para continuarem a atender outras ocorrências. Há perspectiva de que, ainda neste ano, hospitais públicos e privados da Capital possam contar com 549 novos leitos. Ainda não será suficiente, mas se não houver bom gerenciamento, incluindo o sistema de regulação de vagas, esse incremento não trará resultados perceptíveis.

Quando o trabalho de gestão não é bem feito, as consequências são evidentes. Age-se no sufoco para providenciar soluções, algo que se transformou em rotina com as macas de ambulâncias retidas em hospitais. Em meio a essa desorganização, infelizmente, a população tem sido prejudicada.
 

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