Artigos e Opinião

ARTIGO

Angela Maria Costa: "A lesma lerda..."

Professora doutora da UFMS

Redação

16/09/2016 - 02h00
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Mais uma vez a mídia divulga o vergonhoso resultado do IDEB/2015. Mesmo assim, os órgãos oficiais, têm o desplante de afirmar que houve uma melhora no Ensino Médio no Brasil, em relação à avaliação anterior (2013). Das 27 unidades da federação, 20 redes estaduais, aumentaram sua média em 1 décimo nesses três anos! Mato Grosso do Sul está entre elas, passando de 3,4 em 2013, para 3,5 em 2015!  Somente dois Estados, Pernambuco e Amazonas, alcançaram a meta estabelecida para o Brasil de 3,9. 

 Para melhor entender a gravidade dessa situação é importante lembrar que o IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica foi criado em 2015, cabendo a ele, atribuir uma nota para cada escola, das redes municipais e estaduais de ensino. Esse índice é calculado, a cada dois anos, com base na taxa de rendimento escolar (resultado do índice de aprovação e evasão da instituição), e no desempenho dos alunos no SAEB - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e na prova Brasil. A meta do Ministério da Educação é que o país atinja a nota 6 (seis) até 2022. Fácil concluir que nesse passinho de lesma nunca vamos atingir essa meta. Só por milagre!

No entanto é importante lembrar que EDUCAÇÃO nunca foi tratada como prioridade no país. Relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apontam que o Brasil gasta por aluno 1/3 do valor gasto nos países desenvolvidos, isto é, US$ 2.985, segundo valor mais baixo entre todos os 34 países da organização, que gastam em média US$ 8.952.  Acima da Indonésia e abaixo de países como Turquia, México, Hungria, Eslováquia, Chile, Israel, Portugal, e Coréia do Sul. A pesquisa informa que o país que mais investe por aluno é o EEUU, acima de US$ 15 mil, seguido por Áustria, Holanda e Bélgica. Somado a essa catástrofe, o governo federal deixou, em 2016, um corte nessa área de R$ 6,4 bilhões e que até agora, segundo informações oficiais, R$ 4,7 foram recuperados. 

Portanto, senhores candidatos, não adianta falar de EDUCAÇÃO DE QUALIDADE se não souber quanto, onde e como gastar esse dinheiro. As pesquisas do Ministério da Educação confirmam que no Brasil temos, ainda, 16 milhões de analfabetos (27% da população), pessoas que não conseguem sequer escrever um bilhete e 33 milhões que não chegaram a concluir a 4ª série do ensino fundamental I. As nossas crianças estão saindo da escola, no 5º ano, sem saber ler, escrever e contar. O nível de aprendizagem dos estudantes do Ensino Médio piorou em matemática e chegou, em 2015, ao pior resultado desde 2005.

A nota em Português apesar de subir, permanece estagnada. As crianças de 2, 3 e 4 anos nas creches, NÃO TÊM UMA EDUCAÇÃO INFANTIL de qualidade, apenas o CUIDADO e ou ESCOLARIZAÇÃO PRECOCE, obrigadas a aprender letras e números, porque faltam professores valorizados e qualificados para atuar nessa importante área. Faltam gestores (educadores de verdade) que conheçam o assunto e lutem por isso. Falta espaço físico. Faltam laboratórios. Faltam bibliotecas. E o mais importante, FALTA VONTADE POLÍTICA. Falta respeito. Não precisamos inventar a roda. Precisamos mesmo é de VERGONHA NA CARA!

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