Auditorias e revisões são essenciais em qualquer gestão para banir as irregularidades da administração pública.
O setor da segurança em Mato Grosso do Sul enfrenta apagão. O Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo), onde são registrados todos os boletins de ocorrências, não está funcionando porque o Governo do Estado parou de pagar a empresa responsável por mantê-lo. A Compnet Tecnologia estaria há 21 meses sem receber e a dívida já chega a R$ 16 milhões.
O impasse preocupa porque a integração de dados poderia agilizar na busca de informações relevantes às investigações. Além disso, também não é possível acessar as ordens para cumprir mandados de prisão ou algumas informações referentes a veículos que foram roubados. Em um período de violência crescente, abre-se mais uma brecha para avanço da criminalidade. Como se já não bastassem as lacunas existentes na região fronteiriça com Paraguai e Bolívia, sempre com portas escancaradas para que o tráfico de drogas e armas amplie seu domínio, usando o Estado como principal porta de entrada no País.
Ontem, o governador Reinaldo Azambuja não garantiu que o convênio seria renovado e criticou o contrato formalizado com a gestão anterior, questionando o fato de a gestão estadual estar “réfém” dessa empresa, que domina o sistema. Falou, ainda, da importância da segurança jurídica. Certamente, todos esses fatores precisam ser devidamente observados com muito critério, para evitar eventuais prejuízos aos cofres públicos. Essa verificação, por mais necessária que seja, não pode resultar na paralisação de serviços, como vem ocorrendo.
O Governo teve um ano e nove meses para pensar em alternativas caso pensasse em romper com a Compnet. Parece ter escolhido o caminho mais arriscado, suspendendo pagamentos, ignorando o risco de suspensão do sistema, pois não foi feito qualquer planejamento prévio. Faltou organização. De uma hora para outra, os policiais tiveram de modificar a forma de trabalho com a qual estavam acostumados há mais de dez anos.
Auditorias e revisões são essenciais em qualquer gestão para banir as irregularidades da administração pública. Mas, não podem se tornar justificativa para a estagnação. Além do setor da segurança, a recuperação de várias rodovias - que hoje estão completamente intransitáveis - aguardam a conclusão de levantamentos elaborados por força-tarefa.
Não há previsão para reparos e a situação tende a piorar com a aproximação do período de chuvas fortes. Agora, em relação ao Sigo, também parece não haver perspectivas de renovação do contrato, conforme o governador. Declaração que contraria afirmação do secretário de segurança, José Carlos Barbosa, que falou da renovação em breve. É preciso ajustar o entendimento na gestão estadual.
As protelações - amparadas nas intermináveis investigações - estão submetendo a população ao colapso em diferentes setores. Na segurança, são inúmeros problemas em razão das promessas descumpridas ou adiadas. Há dependência total do Governo Federal para promover investimentos e, sem ajuda significativa, praticamente nada evolui. As cobranças de recursos para “fechar a fronteira” são constantes, mas, na prática grande quantidade de maconha, cocaína e armas continuam passando pelas estradas de Mato Grosso do Sul rumo a outros estados.
O retrocesso está evidente em tecnologias que ficam ociosas, a exemplo do que ocorre com os scanners, adquiridos a custo milionário, mas raramento usados. Agora, o Estado está diante de outro prejuízo, com um sistema caríssimo que deixa de ser usado, levando caos a setor importantíssimo.