Teme-se que aqueles que estão prometendo coisas tidas atualmente como possíveis também tenham dificuldades diante dos problemas financeiros que serão herdados.
A Prefeitura de Campo Grande acumula dívidas de R$ 31,6 milhões com 35 empresas somente no setor de infraestrutura. Obras foram paralisadas, algumas esquecidas desde 2012 e novos projetos não foram lançados. No Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, a atual gestão deixou rombo de
R$ 118 milhões. Servidores municipais ficaram sem reajuste salarial, pendência que segue na Justiça. Este é um breve resumo dos problemas da atual gestão municipal. Certamente, há muito mais a ser desvendado na “caixa-preta” das finanças municipais.
Utopia imaginar que o Portal da Transparência - lançado às pressas depois da vergonhosa última colocação no ranking nacional, comparando com outras capitais - contempla dados suficientes para dimensionar as graves dificuldades enfrentadas. A gestão de Alcides Bernal “fechou” acesso a diversas informações que deveriam estar acessíveis à população, pois as receitas e despesas da prefeitura envolvem o dinheiro público, decorrente dos impostos pagos pelos contribuintes. Essa obrigação é negligenciada quando requerimentos feitos pelos vereadores são ignorados ou demoram a ser respondidos. Além disso, são raras as declarações detalhadas sobre as contas municipais.
Há vários pontos de interrogação acerca das finanças municipais, o que pode comprometer os planos de qualquer gestor. O resultado das eleições será conhecido apenas no dia 2 de outubro, com a possibilidade de segundo turno. Sabe-se, previamente, que muitos candidatos estão prometendo o impossível, exagerando com planos inacreditáveis e que, infelizmente, não passam de discurso para tentar convencer o eleitor. Teme-se, porém, que aqueles que estão prometendo coisas tidas atualmente como possíveis também tenham dificuldades diante dos problemas financeiros que serão herdados.
Os esqueletos de obras inacabadas, em diferentes partes da cidade, são apenas amostra do desleixo administrativo e também um pequeno recorte de um problema bem mais amplo. Projetos foram esquecidos e outros engavetados. Outros demoram tanto a sair do papel que, certamente, terão de ser completamente reformulados. É o exemplo da revitalização do Centro da Capital, com financiamento de US$ 56 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A proposta estava parada desde 2009 e, nesta semana, a operação de crédito foi aprovada pelo Senado. O recurso só será liberado daqui aproximadamente seis meses. Depois de tanto tempo, serão inevitáveis as perdas em relação ao que tinha sido inicialmente planejado. Muitos benefícios deixarão de ser concretizados.
Somente agora, no fim da gestão e no período de campanha, alguns investimentos começam a ser feitos, a exemplo do lançamento de licitações para recapeamento de vias. A prefeitura divulga execução de investimentos com recursos próprios, contradição com as declarações de dificuldades financeiras que travam compras de itens essenciais ou falta de pagamento a fornecedores e prestadores de serviço, condição que resulta no desabastecimento de itens considerados essenciais. Por isso, a sensação de que ainda falta transparência e a preocupação com o futuro de Campo Grande, mesmo com as esperanças renovadas ao acompanharmos as promessas feitas durante esse período eleitoral.
O gestor que se dispõe a assumir a prefeitura pelos próximos quatro anos já tem consciência das dificuldades decorrentes da crise econômica. Além disso, há uma série de questionamentos ainda não respondidos, que inferem a existência de deficiências ainda mais graves e de outros desfalques financeiros.