Não tem fim a choradeira dos inconformados com a aprovação do impedimento da agora “ex-presidenta” Dilma Rousseff pelo Congresso Nacional, legítimo representante da vontade do povo brasileiro. Críticas ao processo não cessam, tanto em manifestações públicas quanto em escritos na imprensa, com a mesma cantilena do “golpe”, empunhando sempre os mesmos desfundamentados argumentos, além de atacar a legitimidade do sucessor.
A primeira das falaciosas argumentações é o fato de que a “presidenta” destronada teve desrespeitados os seus 54 milhões de eleitores, que “viram os seus votos jogados no lixo”. Ora, por esse prisma, nenhum mandatário legitimamente eleito (eu disse legitimamente eleito!) poderia sofrer o processo de impeachment, que, assim, deveria ser riscado da Constituição! Quanto aos “54 milhões de eleitores”, há que se considerar duas coisas: uma, que não representaram eles a maioria dos cidadãos aptos a votar, descontando-se os votos dados ao adversário (pouco menos que os da vencedora), os em branco (que também não quiseram votar nela), os nulos por alguma razão, e os que não compareceram ao pleito; outra, a forte rejeição à “presidenta”, vista logo depois da segunda posse, quando se comprovou o estelionato eleitoral ocorrido em 2014, sobejamente constatada, tanto nas ruas quanto nas inúmeras pesquisas de opinião realizadas, demonstrando que a esmagadora maioria daqueles que nela votaram se arrependeram e passaram a repudiá-la.
Um fato a considerar é que, se a eleita recebeu a aprovação de pouco mais de 54 milhões de brasileiros, sua retirada do poder foi levada a efeito por quem representa várias vezes esse placar: são os muitos milhões de votos dados aos deputados federais e senadores favoráveis ao afastamento. Só no Senado, os 61 votantes pelo impedimento representam mais de 83 milhões de eleitores. Se a eleição da afastada foi democrática (apesar do que se viu), o impeachment é também democrático, legal e constitucional.
Argumenta-se também que “o golpe” teve por objetivo barrar as investigações contra a corrupção, como se a administração destronada estivesse patrocinando e empenhada em tais investigações, quando o que se viu foi exatamente o contrário. Fingem desconhecer que não estão elas na esfera do Poder Executivo, mas dependem exclusivamente de instituições independentes, como a Polícia Federal e o Ministério Público, e, para validá-las ou não, o Poder Judiciário. Apoiar-se também em simples afirmações de corruptos boquirrotos de que era preciso “estancar a sangria”, é argumento pífio, até porque, como se está vendo, as investigações, os julgamentos e as condenações continuam a pleno vapor, não sofreram nenhum abalo e não têm data para terminar.
Ataca-se, igualmente, o também agora cassado ex-presidente da Câmara dos Deputados, como um dos “golpistas”, pelo simples fato de ter ele despachado o pedido de impeachment formulado por cidadãos que nada tinham a ver com qualquer dos lados, e que estava em sua mesa para esse fim. Pela ótica dos inconformados, Eduardo Cunha deveria ter arquivado o processo, como se fosse ele o dono da verdade, a autoridade suprema, e como se a decisão não coubesse às maiorias qualificadas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Finalmente, não se pode aceitar as alegações de ilegitimidade do atual presidente, pois, como todos sabem, ele foi eleito na mesma chapa da “presidenta” afastada, nas duas eleições, e é o sucessor legítimo do titular, nos termos da Constituição, gostem ou não os inconformados.