É preciso apresentar explicações conviventes sobre a estagnação no setor de infraestrutura e a demora para iniciar obras que continuam sendo emergenciais .
Imagine a seguinte situação: assaltantes invadem sua casa, arrombam a porta, reviram gavetas e armários, quebram coisas e levam alguns objetos de valor. Tudo fica bagunçado. A primeira providência é acionar a polícia, que encaminhará peritos ao local na tentativa de obter alguma impressão digital ou encontrar outras pistas que possam levar aos criminosos. Esse resultado não é imeditado. Será preciso levantar informações no banco de dados e iniciar as investigações. Mas, pense na dimensão do problema, se você não pudesse alterar nada dentro do imóvel até que nova perícia fosse feita e houvesse um desfecho do caso. Certamente, seria uma medida classificada como inacreditável, inverossímil e improvável. Guardadas as devidas proporções, algo semelhante vem acontecendo em Guia Lopes da Laguna, onde ponte caiu em janeiro e até agora a estrutura permanece dentro do rio, sem qualquer alteração. Uma das justificativas para demora para obra foi justamente a necessidade de auditorias elaboradas pelo Governo do Estado, que demoram muito a ser concluídas.
O mesmo ocorre em relação a rodovias do Estado que precisam, com urgência, receber obras de reparo. A gestão estadual anunciou o trabalho de força-tarefa para apurar eventuais irregularidades nos trabalhos. Corretíssimo. É preciso mesmo verificar se o dinheiro público foi mal aplicado e se as empreiteiras não executaram seu trabalho conforme o que havia sido estabelecido em contrato. Caso as falhas sejam encontradas, é preciso acionar Ministério Público, Tribunal de Contas e até mesmo cobrar na Justiça que as obras sejam refeitas, quando ainda estiverem no prazo de garantia. O prejuízo, porém, pode tornar-se maior quando essas investigações acabam servindo como justificativa para estagnação de investimentos.
No dia 12 deste mês, o Correio do Estado divulgou reportagem mostrando o abandono na região sul do Estado, onde pontes caíram e estradas estão completamente esburacadas. Desde janeiro, quando vários municípios decretaram emergência, as intervenções são aguardadas, mas pouco foi feito. O Governo silenciou e até agora não se sabe quando os investimentos começarão. Em reportagens anteriores, a gestão estadual já havia anunciado auditorias e falhas nas obras de algumas rodovias, a exemplo da MS-180, entre Juti e Iguatemi, MS-156, entre Caarapó e Amambai, e outras na região norte do Estado.
A situação repete-se em Guia Lopes, onde ponte de concreto caiu em efeito dominó no início do ano. Perícia contratada pelo Governo do Estado apontou falha no projeto de construção. Pouco depois, levantamento do Instituto de Perícias Científicas mostrou a falta de manutenção e falhas nas obras de reparo para conter erosão como causas determinantes para a queda. Por esse laudo, equipes da Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul) teriam cometidos erros durante as obras para recomposição do aterro. Tudo indica que a polêmica e as contestações continuarão. Mas, nada que justifique o abandono que prejudica moradores, que dependem dessa travessia. Agora, a informação oficial é que está sendo licitado elaboração do projeto para a nova ponte. Não se sabe, portanto, prazo para iniciar a construção.
É preciso apresentar explicações convivences sobre a estagnação no setor de infraestrutura e a demora para iniciar obras que era consideradas emergenciais no início do ano e continuam com essa mesma classificação, nove meses depois. Sabe-se que recursos federais não chegaram e que a crise financeira pode ter atrapalhado os planos para iniciar logo a recuperação, fatores que justificariam tamanha demora. É incompreensível, porém, que auditorias e investigações possam travar investimentos importantes para a população.