O simples pagamento do benefício, nos atuais moldes, passa longe de qualquer pretensão de auxílio aos mais carentes.
O descontrole no pagamento do Bolsa Família está evidente, conforme constatado pelas diversas fraudes desmascaradas em todo País. As irregularidades tornaram-se recorrentes, provas de falhas no programa, que incluem problemas desde a concessão dos benefícios até o acompanhamento dessas famílias que estão recebendo os recursos. Há diversos absurdos, como beneficiários que já doaram milhões a campanhas políticas, empresários que usufruem dos recursos ou até mortos que continuam recebendo. Os escândalos chegaram a Campo Grande, onde o Ministério Público Federal (MPF) encontrou indícios de 5,2 mil irregularidades do total de 28 mil famílias.
Ainda em julho, foi solicitado que a administração municipal fizesse pente-fino nos pagamentos. Até agora, a prefeitura fez 400 visitas e comprovou parte das irregularidades. Porém, apenas 50 benefícios foram bloqueados, pois muitos relatórios ainda estão sendo elaborados. Essa demora também corrobora para a existência de fraudes. Não há cruzamento de dados entre instituições e nem mesmo monitoramento para acompanhar se as pessoas continuam em situação de vulnerabilidade. As famílias tornam-se dependentes do Bolsa Família e o Governo apenas finge estar prestando algum tipo de assistência social. O simples pagamento do benefício, nos atuais moldes, passa longe de qualquer pretensão de auxílio aos mais carentes. Está muito mais para bandeira política.
Não se discute que as famílias necessitam dessa renda mensal para, ao menos, conseguir arcar com as despesas consideradas essenciais, de alimentação, água e energia elétrica, por exemplo. Mas, o auxílio de R$ 177, infelizmente, está longe de propiciar a vida digna que merecem. No momento de crise financeira e desemprego recorde, os gestores precisam repensar a forma de concessão desses auxílios. Além disso, a revisão é indispensável para banir as irregularidades, pois as fraudes tiram dinheiro daqueles que realmente precisam. Hoje, em Campo Grande, o número de favelas cresceu significativamente nos últimos meses. Moradores tiveram de mudar para barracos depois de perderem emprego e não conseguirem mais arcar com aluguel. Assim, já são dez aglomerações de sem-teto e muitas famílias ainda não contam com ajuda dos benefícios assistenciais. Mais uma falha dos gestores!
Até mesmo esse aumento da demanda de pessoas que precisam do Bolsa Família reflete o descaso de Governo e prefeituras. Não basta apenas dar o dinheiro todos os meses. É preciso propiciar condições para que as famílias saiam dessa condição de vulnerabilidade social, algo que só será alcançado com acesso ao estudo e trabalho. Ministério Público Federal iniciou pente-fino no benefício em praticamente todos os municípios do Estado. O Governo Federal, no mês passado, também começou varredura em busca das irregularidades. Os primeiros passos estão sendo dados, mas é preciso avançar e repensar o programa para alcançar os reais efeitos de prestar assistência às famílias mais necessitadas.
Os propósitos do Bolsa Família foram desvirtuados, pela falta de acompanhamento das famílias ou pela ausência de monitoramento para evitar fraudes. O poder público precisa assumir essas responsabilidades para que o programa não seja encarado por muitos como algo de caráter eleitoreito, em que candidatos apenas prometem manter e ampliar pagamentos.