A sensação é que precisaríamos de eleições quase mensais para que a tentativa de mostrar serviço e convencer os eleitores sejam revertidos em benefícios à população.
Há meses, Campo Grande amarga problemas: ruas esburacadas, canteiros e praças de avenidas cheios de mato ou tomados por formigueiros, vias sem iluminação e dezenas de obras paralisadas. Recentemente, a prefeitura deu os primeiros sinais de esforço para tentar reverter esse cenário caótico.
Ontem mesmo, finalmente, havia equipe para podar as árvores e cortar grama no canteiro da Avenida Afonso Pena, nas proximidades do Shopping Campo Grande. O trabalho que deveria ser rotineiro acaba tornando-se motivo para comemoração, tamanha a demora para executá-lo. A sensação é que precisaríamos de eleições quase mensais para que a tentativa de mostrar serviço e convencer os eleitores sejam revertidos em benefícios à população. Só assim para que a prefeitura possa cumprir suas responsabilidades e dedicar à cidade o cuidado merecido.
Fica difícil, porém, manter as perspectivas de que esses investimentos serão mantidos, dado ao histórico de abandono e estagnação. A começar pelo descaso com as ruas e avenidas da cidade. No trajeto diário, tornou-se impossível para os motoristas conseguir desviar das crateras formadas em razão da suspensão da operação tapa-buraco. Depois, o serviço foi retomado, mas aquém do necessário para promover acelerar a recuperação das vias. Das sete empresas, apenas duas continuaram atuando.
O trabalho de fiscalização continuou ineficiente, com reparos malfeitos durando menos de duas semanas. No improviso para tentar fazer bonito até chegar outubro, vale até tapar buraco com pé, com operários que descarregam material de uma caminhonete descaracterizada, com placas de Minas Gerais. O contrato com esse prestador de serviços ainda permanece sob mistério, pois não é detalhado pela administração.
Também inclui-se na pressa da administração municipal algumas obras aguardadas há bastante tempo. Pena que muita coisa não avançou além do lançamento e da instalação de placas. Em maio, houve anúncio da retomada de 42 obras que estavam paradas há mais de três anos. Construções de Centros de Educação Infantil (Ceinfs), escolas e postos de saúde, porém, foram novamente suspensas dias depois, restando apenas algumas exceções, a exemplo da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Santa Mônica. Há, ainda, licitações lançadas há cerca de dois meses para recapeamento de vias, com algumas obras iniciadas. Há, obviamente, vários pontos positivos nesses investimentos, finalmente destravados.
Causa estranheza e até indignação a demora para começá-los, considerando que a lista contempla projetos ainda da gestão anterior. Há ainda o agravante de obras com recursos garantidos, mas que não saíram do papel, a exemplo da revitalização às margens do Rio Anhanduí, onde erosão avança para a pista da Avenida Ernesto Geisel. A cidade tem hoje vários símbolos doabandono que permanecem evidentes e precisam ser lembrados pelos candidatos que se propõem a assumir o comando da Capital.
Infelizmente, os moradores precisam, muitas vezes, aguardar pelo oportunismo para conseguir benefícios que deveriam ser permanentes e preocupações constantes dos gestores. Ao menos, com a proximidade das eleições, Campo Grande vem recebendo melhorias que, durante vários meses, deixaram de ser feitas.