Há 150 anos nascia um dos maiores escritores de ficção cientifica e também um entusiasta popularizador de ciências. Herbert George Wells (1866–1946) ou simplesmente H.G. Wells ocupa uma posição única na área cientifica e cultural. Em suas quase seis décadas de carreira e aproximadamente 150 obras, Wells praticamente reinventou a ficção cientifica, como claramente observado em uma de suas mais famosas obras, intitulada Guerra dos Mundos.
Nesta obra, o autor conglomera ciência, educação, história e política, amalgamando uma estória fantástica e ainda hoje atual. Seu maior desejo era simplesmente fazer o mundo melhor através de suas obras, como claramente observado em inúmeras cartas a prestigiada revista Nature, criando um mundo futurista utópico que beirava a perfeição, além de trazer a capacidade crítica e fascínio aos seus milhares de leitores.
Entretanto o que poucos sabem é que um dos maiores escritores da língua inglesa também era um treinado cientista, tendo estudado evolução e darwinismo na escola imperial de Londres. Embora tenha tido estas duas vertentes na carreira, Wells nunca se auto-intitulou cientista ou mesmo artista, preferindo a alcunha de jornalista. Foi um brilhante comunicador cientifico, estando sempre muito próximo de cientistas competentes e brilhantes. Iniciou sua carreira publicando textos científicos de biologia em 1893, tendo vários apresentando inúmeras edições. Entretanto uma de suas primeiras obras de ficção cientifica foi publicada em 1895 com o título “O Bacillus roubado e outros incidentes” (The Stolen Bacillus and Other Incidents).
Logo em seguida publica também a fantástica estória de um anjo caído na Terra em sua obra “Uma maravilhosa visita” (The Wonderful Visit), demonstrando sua enorme capacidade de abordar inúmeros temas. Entretanto o sucesso vem para Wells com vários ensaios que o tornaram imortal que incluem a Máquina do Tempo, a Ilha do Doutor Moreau, a Guerra dos Mundos e o Homem Invisível. Todos estes livros tiveram um enorme impacto na ciência, ao estimular jovens de todo o mundo a serem criativos e sonharem com o desenvolvimento de tecnologia e ciência propriamente dito. Por exemplo a Guerra dos Mundos inspirou Robert Goddard a criar o combustível liquido para foguetes em parceria com o programa Apollo da NASA.
Este mesmo livro apresentava os raios quentes (heat-rays), que inspiraram a criação de lasers pelos militares americanos. E quem não se lembra das experiências genéticas da Ilha do Dr. Moreau ao criar inúmeras quimeras de homens e animais. Vale ressaltar que o herói da obra, Edward Pendrick, passou alguns anos estudando biologia no Royal College of Science. Além disso Wells em sua obra O mundo livre (The World set free) 1914 previu a bomba atômica, influenciando Frederick Soddys a trabalhar com radioatividade e o físico Leo Szilard a trabalhar reação em cadeia de nêutrons. Interessantemente seu maior desafeto Julio Vernes, outro gigante da ficção cientifica, dizia que as descrições de Wells eram simplesmente pura balela e invencionice. Vale também lembrar que Wells dizia o mesmo de Vernes em relação ao submarino.
Em resumo Wells influenciou e ainda influencia múltiplas gerações de mentes pensantes e sua criatividade fez o mundo mudar em muitos aspectos. Estimular e inspirar se mostra tão essencial quanto fazer e desenvolver. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.