Há pessoas que passam pelas nossas vidas e nos legam exemplos magnificentes de sua nobreza, de sua dignidade, de seu espírito cívico, de seu amplo coração que acolhe a todos. Tomo como exemplo, uma delas: Dona Lourdes Ribeiro Fragelli. Os que a conheceram pranteiam sua memória desde o último dia 22, quando aos 94 anos conquistou o descanso eterno. Sou daqueles que teve o privilégio de conhecê-la desde há muito.
Lembro-me perfeitamente, foi no ano de 1946, em seu segundo semestre e no início da campanha eleitoral que resultou na eleição de seu esposo, José Fragelli, deputado estadual constituinte. Contava eu verdes quinze anos e já empolgado pelas lides políticas e pela liderança que se despontava na pessoa de Fragelli – um dos mais lídimos homens públicos com quem convivi. Como afirmei conheci dona Lourdes, que me recebeu em sua residência na rua Rio Branco (onde fui a procura de material de propaganda do Fragelli) com cativante fidalguia, elegância de gestos que a notabilizaram ao longo de sua bem-aventurada existência.
Dona Lourdes possuía um acentuado senso político, posições firmes, definidas, características que naturalmente herdou de sua origem: Filha do prestigioso líder político estadual, José Alves Ribeiro, o cel. Zelito, e de dona Constança Corrêa da Costa Ribeiro, esta de tradicional cepa mato-grossense, pois seu pai era Pedro Celestino Correa da Costa, por duas vezes governador de nosso Mato Grosso uno.
Com tais atributos somou muito à carreira de seu esposo Fragelli, conservando-se sempre conselheira prudente naqueles momentos cruciantes que um homem público tem a enfrentar. Dona Lourdes se destacou como primeira dama do estado quando Fragelli foi governador e mercê sua simpatia pessoal, profundo senso para as questões sociais conquistou o coração da sociedade cuiabana espraiando-se pelas comunidades de todo o Estado.
Dona Lourdes de profundas raízes católicas soube dedicar seus momentos de reflexão a ação apostólica com acento àqueles mais carentes da solidariedade cristã e o fazia com a maior discrição humanística. Nas últimas etapas de sua vida demonstrou seu desvelo pela ação cristã na cidade que foi seu berço e sua morada final: Aquidauana.
Não me foi possível prestar-lhe meu respeito, admiração nos momentos tristes de sua despedida. Rezei pela sua alma pura, numa reflexão íntima de que está se tornando raridade na política mulheres como ela que soube transferir sua inteligência, perspicácia, desvelo em apoio ao seu esposo na longa e exitosa caminhada por ele percorrida. Honro-me por ter tido, além da confortadora amizade que dona Lourdes e o Fragelli me distinguiram, testemunha presente de episódios marcantes de suas vidas extremamente prestantes.