Ainda refletindo o 1º turno das eleições a constatação é que, nós mulheres, continuamos a validar o Clube do Bolinha na política brasileira. Em um ranking preparado pela União Interparlamentar que avalia a penetração política das mulheres em 146 países, o Brasil ocupa o 110º lugar, atrás de nações como Togo, Eslovênia e Serra Leoa. O pior é que somos nós, as mulheres que assinamos esse aval, com nossos votos, embora representemos a maioria do eleitorado brasileiro (51,7%).
A tímida representação feminina no Poder Executivo e Legislativo, se mantém inalterada há 19 anos, mesmo depois da Lei Eleitoral 9.100, promulgada em 1995, que obrigava os partidos a obedeceram um percentual mínimo de 20% de mulheres nas disputas eleitorais, alterada em 1997 para 30%. A grande questão é: se somos maioria, porque não exigir a cota de 50% nas disputas? Quem fez esse cálculo esdrúxulo? O que essas poucas mulheres estão fazendo nos partidos e no legislativo, que ainda não se atentaram para essa injustiça? O fato comprova que a composição partidária e a legislação brasileira refletem o modelo patriarcal da nossa sociedade. ATRASO!
Ao serem indagados os partidos políticos alegam dificuldades em atrair as mulheres para seus quadros, porque elas não se interessam. É preciso deixar claro que essa fraca participação das mulheres na política não decorre da carência de mulheres com vontade, capacidade e aptas a concorrer, mas antes pelo modo como os partidos são organizados e controlados por homens, ávidos pelo poder.
Para comporem chapas, correm atrás de mulheres, porque são obrigados por lei, mas na campanha deixam de dar suporte mínimo para sua eleição. A legislação é clara - na impossibilidade de registro de candidaturas femininas no percentual mínimo de 30%, o partido ou a coligação deve reduzir o número de candidatos do sexo masculino para se adequar às cotas de gênero. Estudo comparativo com outros países revela que a aplicação da lei não é suficiente para aumentar essa participação, sendo necessário capacitar, criar programas de apoio e campanhas de incentivo, além é claro, de eliminar o machismo e o paternalismo dentro dos partidos.
O que eu constatei, por experiência própria, é que A MULHER EM TODOS OS PARTIDOS é DESRESPEITADA e USADA como cabo eleitoral gratuito. Muitas ainda se submetendo a esse tratamento desigual porque se deslumbram com a benesse da foto nos santinhos (lógico que com photoshop), exibição de sua imagem (produzida) no minúsculo espaço de TV, algumas até beirando ao ridículo e até para medir sua popularidade.
Entram na disputa aceitando esse jogo, sabendo que JAMAIS serão eleitas, mas com a esperança, quem sabe, com seus votinhos, conseguir algum carguinho merreca no governo que ajudou a eleger. Após a vitória, o partido não as chama para nenhuma tomada de decisão e muito menos para discutir e fazer parte da composição do futuro governo (a não ser as escolhidas previamente).
Estamos fragilizadas porque somos cúmplices por continuar aceitando essa condição. Perpetuamos o círculo vicioso...é crocante porque comemos mais...ou comemos mais porque é crocante? Urgente e necessário que as MULHERES de TODOS OS PARTIDOS se unam e comecem uma campanha nacional, começando daqui – 50% É JUSTO E EU QUERO! Estamos juntas!