Do francês “bureau”, significando escritório, e do grego “krátos”, poder ou regra, essa palavra designa o poder, a influência ou a rotina dos funcionários do serviço público, e até mesmo a própria classe desses servidores. Pejorativamente, é a morosidade, o descaso ou as exigências que dificultam a prestação dos serviços públicos. Todos a conhecemos, num e noutro sentido.
Eu próprio, ao longo da vida, em especial no desempenho das diversas atividades que exerci, verifiquei o quão danosa pode ser a burocracia ao atuar de forma contrária às suas verdadeiras finalidades, ou seja, quando “cria dificuldade para vender facilidade”, a norma dos maus administradores, dos gestores de má-fé, dos que não exercem suas funções com profissionalismo e correção.
É aquele que impõe ao cidadão, a quem deveria atender com presteza, boa vontade e eficiência, exigências descabidas ou desnecessárias, que protela uma resolução simplesmente por causa de detalhes, que é aferrado à rotina e às formalidades excessivas.
Isso veio-me em razão de um sonho que tive recentemente: eu e um colega deveríamos nos deslocar a uma cidade do interior do Estado a fim de realizar uma tarefa de interesse da organização a que pertencíamos. Fomos de carro por estradas sem pavimentação, o colega dirigindo o veículo, que sacolejava terrivelmente, ora levantando poeira, ora atolando em lamaçais, etc.
Com muita dificuldade chegamos ao lugar e fomos ao órgão público onde seriam obtidos os dados e os documentos buscados. Porém, a responsável pelo setor jogou-nos um balde de água fria: não seria possível atender à nossa solicitação no momento, porque a pessoa que detinha as informações estava ausente da cidade e ninguém mais poderia resolver o problema, mas ela se comprometia a levar à Capital, assim que possível, aquilo que buscávamos.
Acrescentou que, quando fizesse isso, aproveitaria para apresentar-nos o pai dela, que muito nos ajudaria. Por mais que insistíssemos, não conseguimos sair dali com a missão cumprida.
Ao regressarmos, falei ao colega: “É sempre assim, eles querem levar os documentos para receber o pagamento de diárias, passear em Campo Grande e, no caso dela, visitar o pai que mora lá.”
Essa narrativa, como disse, é de um sonho que tive, mas, na realidade, passei por situações semelhantes quando atuava como advogado da empresa pública estadual Cohab-MS, responsável pela produção de habitações populares, já extinta.
Geralmente o prefeito de alguma cidade do interior vinha à empresa, interessado em implantar um conjunto de casas em sua cidade; oferecia a doação do terreno e outras concessões, no sentido de baratear os custos. Então se acertava minha ida até lá, acompanhado de um engenheiro, para verificarmos a documentação legal, as condições físicas do imóvel e outros detalhes.
Em lá chegando, quem detinha os dados estava ausente, etc., e, depois da vistoria do terreno, o funcionário responsável se comprometia a trazer a Campo Grande o que estávamos solicitando. Simples assim.