O dia 2 de novembro é o dia esculpido no calendário civil da maior parte dos países ocidentais destinado a honrar os seus mortos. Uma ação justa e digna. Ela nos remete a uma reflexão profunda sobre a gratidão que lhes somos devedores por tudo o que nos legaram. Em cada sepultura existe uma história repleta de emoções; de sentimentos ; de afeto; de carinho e de amor grande que os nossos mortos sempre dispensaram aos seus mais próximos. Mas não é só isso. Deixaram sobretudo, um legado de caráter, dignidade, altivez e bravura para enfrentarmos os desafios do cotidiano.
Não pode existir nada igual. Daí, a importância de serem lembrados sempre. Mas a lembrança deve vir acompanhada do respeito que o poder público precisa dispensar nos cuidados com os nossos campos santos onde se encontram seus restos mortais. Eles não podem ser objeto de uma maquiagem apenas nos dias que antecedem o 2 de novembro. Isso não é correto.
Esses cuidados precisam ser contínuos. Trata-se de uma exigência da nossa sociedade. As famílias visitam seus entes queridos sempre e não apenas no dia a eles destinados. Tem o direito de encontrar um lugar digno, limpo, com asseio. De se salientar ainda que em muitos cemitérios encontram-se também os nossos homens públicos que no curso da sua existência destinaram sua inteligência e espírito cívico para a construção das cidades que nos legaram. Encontram-se, também os heróis da pátria que nos legaram um território livre e soberano.
A reverência a eles, portanto, precisa ser eterna. Não se concebe um país apartado da sua história. Ela vem sempre acompanhada daqueles que a construíram. Por isso são visitados e exaltados pelo pelo conjunto da nossa população. Em razão desse entendimento precisamos compreender que os nossos entes queridos e os homens públicos e os nossos heróis que também ali se encontram não deixarão de ser para nós o que foram e o que representaram em vida. Mas para que esse encontro digno exista de verdade necessário se torna que os cemitérios sejam um lugar limpo e bem conservado.
Mas não é o que ocorre na maioria dos nossos cemitérios, especialmente aqueles administrados pelo poder público, com raríssimas exceções. O que encontramos na maioria deles é algo deplorável. Uma verdadeira vergonha. Muitos deles nem muro possui. Em outros tantos inexistem registros das pessoas sepultadas. Algo inacreditável. À noite desassistidos de segurança e sem nenhum tipo de iluminação, tornam-se lugares convidativos para os drogados e gente da pior espécie. O mato, as sepulturas abertas que surgem com as inundações, os restos mortais, às vezes expostos, completam um quadro horroroso. Isso sem falar na ação criminosa daqueles que violam as sepulturas para se apossarem de bens materiais.
As nossas famílias não precisam ser protagonistas de tamanha humilhação. Nossos mortos merecem respeito. O fato causa repugnância e revolta. Nos países civilizados os campos santos estão incluídos nos roteiros turísticos. É a forma que os governantes daqueles países quiseram oferecer ao restante do mundo o quão grande é o respeito que nutrem pelos seus mortos e pelos seus heróis. Um exemplo dignificante e que enobrece a história de um povo que sabe cultuar os feitos deixados pelos seus entes queridos e pelos seus heróis nacionais. Os gestores públicos poderiam dar esse passo maravilhoso.