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Confira o editoral deste domingo: "Ainda há tempo?"

Confira o editoral deste domingo: <br>"Ainda há tempo?"

Redação

06/11/2016 - 03h00
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O projeto de reestruturação deve ser entregue este mês. Se não forem medidas drásticas, difícil vislumbrar a reversão do cenário. 

Daqui a dois anos, os brasileiros vão enfrentar novamente o desafio das urnas e escolher o presidente da República, governadores, senadores e deputados federais. Parece um pouco distante a discussão, mas, para o governador de MS, Reinaldo Azambuja, é contagem regressiva cada vez mais presente. A “revolução” prevista para os próximos meses é reflexo da insatisfação interna e externa. Azambuja precisa mostrar a que veio caso queira sobreviver ao escrutínio popular em 2018.

   O estudo começou, mas é mantido sob manto da reserva e da discrição típica da personalidade do governador. Mas, já é possível fazer alguns esboços do que está sendo preparado. A troca de alguns secretários é considerada fato inevitável, depois do desgaste na relação de componentes do primeiro escalação.

O secretário de Administração e Desburocratização, Carlos Alberto Assis deixou a pasta em agosto para trabalhar na campanha de Rose Modesto e, até agora, não voltou. Há dois fatores que podem fazer com que ele nem retorne ao trabalho na secretaria: Eduardo Riedel e Sérgio de Paula. Assis teve forte desentendimento justamente com os dois homens de confiança de Azambuja e, ao colocas essas relações na balança, o governador não teria dúvidas em quem ficaria ao seu lado até o fim da gestão. Outro nome na berlinda é do secretário de Justiça e Segurança Pública, José Carlos Barbosa, que comanda uma das pastas mais sensíveis.

Com números crescentes de criminalidade, fica difícil manter-se no cargo sem mostrar trabalho efetivo e diferenciado, principalmente pela condição de Mato Grosso do Sul ser uma das principais rotas do crime organizado.  Na lista, ainda há Rose Modesto. A secretaria sob seu comando, Direitos Humanos, Inclusão e Assistência Social, pode ser extinta e ela voltar  apenas ao cargo de vice.

   Os ajustem tem caráter financeiro e, claro, político. Por causa da crise econômica, é inevitável fazer redução nas despesas e chegar ao esperado equilíbrio fiscal, mas, além disso, é preciso deixar a “marca” para que as ações sejam lembradas pela população na eleição de 2018. O governo tem ciência de que a derrota à prefeitura de Campo Grande acendeu sinal de alerta.

A candidata do governador, com muito mais recursos que os adversários não conseguiu superar Marquinhos Trad (PSD). Achava-se que Rose deslancharia tendo o apoio incondicional de Azambuja, mas não foi o que aconteceu. O brilho que o acompanhou na vitoriosa campanha de 2014 parece ter esmorecido. Claro, qualquer início de gestão é o chamado reconhecimento de campo, mas é preciso um momento que a adminstração precisa deslanchar.

   A questão que perdura é se ainda haverá tempo para arrumar a casa, colocar em prática projetos da campanha que ficaram pelo caminho e reconquistar a confiança da população. São muitos desafios em um calendário exíguo. O projeto de reestruturação deve ser entregue este mês. Se não forem medidas drásticas, difícil vislumbrar a reversão do cenário. O choque de gestão é aguardado com apreensão no Parque dos Poderes e com grande expectativa pela população. 
 

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