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OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "O legado de Nelson Trad!"

Promotor de Justiça aposentado

Redação

07/11/2016 - 01h00
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Quando Nelson Trad sagrou-se vitorioso nas eleições como candidato a vice-prefeito de Campo Grande na chapa encabeçada por Antonio Mendes Canale  contra a outra liderada pelo médico Marcílio de Oliveira Lima e o seu vice Luis de Alexandre a vitória foi considerada  um marco histórico na vida política do campo-grandense. Algo inimaginável para a época. Mas ela ocorreu. E de uma forma avassaladora, incontestável e sem nenhum vício que pudesse comprometer o resultado apontado pelas urnas.

Eram, enfim as ideias progressistas que chegavam ao berço do poder político na principal cidade do interior do então Mato Grosso. Naquele pleito destacava-se o grande poder de oratória dos candidatos vitoriosos. Eram jovens, impetuosos e decididos em buscar a realização de um sonho amparados pela força das suas convicções e pela grandeza de seus propósitos. 

Sustentavam algo novo. Era o chamado – plano de desenvolvimento integrado -. Na oratória, Nelson estava um passo à frente. Sua carreira política parecia exitosa.

O desenho político que se se anunciava para bem próximo era a sua eleição vitoriosa para prefeito de Campo Grande. Não aconteceu. A Revolução de 64  interrompeu sua aspiração.

Nelson nunca mais iria concretizar esse sonho. O de governar a cidade  que escolheu para trabalhar, criar sua família, formar o seu patrimônio,  e ser um protagonista do seu desenvolvimento e da sua história. Mas os militares não conseguiram calar a sua voz.  A atividade política interrompida foi um premio de valor inestimável para as lides forenses. 

Os grandes espetáculos produzidos por Nelson agora estavam nas salas de audiência,  dos nossos foros, nos seus  arrazoados, claros e objetivos, lançados  nos autos dos processos das causas em que tinham o seu patrocínio, mas   especialmente na tribuna do Júri. Aqui Nelson foi imbatível.

Ninguém o superou tamanha a sua eloquência e conhecimento dos temas relacionados com a área criminal. Era objetivo nas suas proposições e fulminante nos apartes. Dificilmente  vamos encontrar um novo tribuno com o mesmo perfil.  

Na FUCMAT, Faculdades Unidas Católicas do Mato Grosso, hoje UCDB, quando a direção daquela Instituição de Ensino Superior anunciava a presença de Nelson  em suas dependências para proferir palestras como convidado aos estudantes de Direito sempre  no campo criminal a quantidade de estudantes prontos para ouvi-lo era impressionante.

Os próprios docentes demonstravam esse mesmo interesse. Disso dou meu testemunho. Era estudante de Direito naquela Instituição, à época.  

Dessa lição de vida podemos tirar vários exemplos que somente engrandecem o ser humano. As coisas boas e as ruins acontecem para todos nós. Essas últimas quando resultam acompanhadas pelo estigma da injustiça,  podem levar muitos homens e mulheres à desesperança, aos atos tresloucados.

As circunstancias respondem pelas ações. Mas existem ações concretas para superá-las. Mas essa não é uma tarefa fácil. Ela não está reservada para qualquer ser humano.

Somente para os sensatos e equilibrados ela reserva esse privilégio de grandeza exponencial. Nelson está incluído nesse rol de homens. Não se curvou nunca diante da tirania. Utilizou sempre a força da lei para arrostar os perigos. A gratidão oferecida pelo povo que sempre amou foi-lhe tributada dignamente. O nosso estado inteiro perpetua a sua memória. Não interessa se depois da sua morte.

Os grandes homens não morrem nunca. Suas memórias e seus feitos, aliados aos seus exemplos,  ficam marcados de uma forma indelével nos anais da nossa história.  Não pode existir nada mais significativo do que esse fato. Todas as famílias almejam que um de seus integrantes venha um dia a governar os destinos da sua cidade.

É um clamor justo e patriótico. Mas, só para algumas famílias  o destino reserva essa sorte de valor sem limites. Nelson foi duas vezes privilegiado.

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