O prefeito eleito de Campo Grande precisará adotar uma “economia de guerra”. A redução nas despesas é o primeiro passo a ser tomado (...)
Há quatro anos, os moradores de Campo Grande tem sentido os efeitos de escolha equivocada e aventureira feita nas urnas. Em pouco tempo, a cidade parou.
Os investimentos estão travados, obras importantes foram abandonadas e as ruas estão esburacadas. Não é de se admirar a avaliação feita por vereadores e deputados estaduais sobre o desafio do prefeito eleito Marquinhos Trad e a “herança maldita” que será deixada.
Os vereadores consideraram positivo que o prefeito eleito tenha ido à Câmara Municipal para mostrar a disposição pelo diálogo. Uma das marcas da gestão de Alcides Bernal foi justamente a animosidade com o Legislativo, o que impediu andamento de projetos e até o reajuste dos servidores, numa votação truncada e falha, que prejudicou o funcionalismo público.
Não se pode eximir os vereadores de sua parcela de responsabilidade nesse imbróglio administrativo. Além de alimentarem a discórdia, tiveram o mandato manchado pela investigação na Operação Coffee Break, episódio ainda nebuloso em decorrência de ação ainda pendente.
A reabertura do canal de comunicação é de suma importância para que se discutam as prioridades para Campo Grande. Os vereadores reeleitos devem estar atentos para que não cometam os mesmos erros da última legislatura.
Marquinhos Trad também discutiu o futuro de Campo Grande com o governador do Estado, Reinaldo Azambuja. No encontro, a cobrança de promessas de campanha do tucano, feitas em 2014, com investimentos nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.
O diálogo serviu, ainda, como forma de encerrar a guerra eleitoral travada com a candidata Rose Modesto, vice-governadora, em que ofensas e baixarias acabaram tomando o espaço do debate de propostas. Azambuja mostrou maturidade em dizer que o embate está sepultado e que agora é momento de olhar para cidade.
Esses dois encontros são emblemáticos e promissores. Mostra disposição geral em tentar resgatar Campo Grande do ostracismo. Há, pela frente, um longo caminho, marcado por dificuldades financeira, redução no orçamento e obras que ficaram pelo caminho.
Dados do Tesouro Nacional mostram que a prefeitura comprometeu 65% da receita com pagamento da folha. O porcentual supera o limite máximo de 60%, preconizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A reestruturação é urgente e Marquinhos declarou que uma das primeiras medidas é fazer corte de comissionados.
Na troca de equipes, natural na transição de gestões, espera-se que o número de novos funcionários não infle as contas. Hoje, são pelo menos mil comissionados, incluindo concursados e cargos de confiança.
O prefeito eleito de Campo Grande precisará adotar uma “economia de guerra”. A redução nas despesas é o primeiro passo a ser tomado para tentar reverter o cenário caótico. A conta ainda terá sobressaltos quando chegar a data base do reajuste dos servidores. O trabalho conjunto com a Câmara de Vereadores e o governo do Estado serão essenciais para tentar tirar a cidade do buraco. Literalmente.