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ARTIGO

José Carlos de Oliveira Robaldo: "O dia seguinte, e agora?"

Procurador de Justiça aposentado, advogado

Redação

08/11/2016 - 02h00
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Eleições municipais. Estamos no dia seguinte e como diria o poeta Carlos Drummond de Andrade: “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora José?” Agora o contexto é outro. As veementes promessas precisam tornar realidades. Chegou a hora de o candidato eleito dizer a que veio. O povo não sumiu não, além do mais, está aflito por mudanças e, acima de tudo, de mentalidade e de uma boa administração!

A verdade é que o marqueteiro se desprendeu, recebeu seus altos honorários e num piscar de olhos desapareceu! O que força o candidato eleito a pilotar o barco sozinho. Se encampou a metodologia do seu orientador para conquistar o eleitor e ganhar a eleição, como normalmente ocorre, agora precisa remar “solito”, como diriam nossos “hermanos”. E mais, tem a obrigação de cumprir o que prometeu, pois o eleitor não elege o marqueteiro e sim o candidato.

O discurso contagiante e cheio de otimismo deve ser concretizado, isto é, transformado em realidade. O compromisso é do candidato com o eleitor e não pode socorrer-se da recorrente prática de que seu insucesso deve-se às péssimas condições em que pegou as finanças do órgão (prefeitura) de que vai administrar. 

A crise por que passa o país, com reflexos nos municípios, é inegável. Mas esse quadro já era do conhecimento dos candidatos, em especial do ganhador, o que faz o eleitor e os munícipes de modo geral imaginarem que ele tenha projetos criativos e inteligentes para superar esses desafios. Do contrário, não teria se envolvido nesse projeto político-administrativo. É o mínimo que se espera!

Obviamente que não se espera que o candidato eleito seja um super homem, mas sim que, antes de se lançar nesse projeto, tenha feito uma auto-análise quanto à sua capacidade de liderança, de gestão e de superar as dificuldades. Mesmo porque ninguém o obrigou a se lançar nesse propósito e consequentemente não pode ser um mero aventureiro.

Aquele que se propõe a administrar a coisa pública já sabe de antemão que vai enfrentar problemas para satisfazer razoavelmente o interesse público correspondente. Os problemas, quer sejam na saúde, educação, mobilidade urbana, saneamento etc são os mais diversos, enquanto que os recursos são limitados. Isso é de conhecimento público e consequentemente do candidato eleito. Logo, a proposta, e não poderia ser diferente, é de resolvê-los o que exige sabedoria, empenho e criatividade.

No caso específico de Campo Grande, todos sabem dos problemas administrativos que vem enfrentando. Tanto no Executivo, quanto no Legislativo, os desencontros são infindáveis e a população de modo geral sofrendo as consequências desse desajuste.

Os problemas, ou seja, a enfermidade é conhecida. Com efeito, o primeiro passo é como medicá-la.
Bem, aí é que entra a capacidade de gestão do administrador. Essa capacidade administrativa começa pela escolha criteriosa de sua equipe. Por mais preparado que seja o candidato eleito, não poderá trabalhar sozinho, o que é obvio. Contudo, o êxito da sua administração dependerá, e muito, da sua liderança. Outro ponto importante nesse contexto é o bom relacionamento institucional com a Câmara Municipal, com os Governos estadual e federal e com deputados e senadores do respectivo Estado. 

Não há a menor dúvida de que dificuldades serão enfrentadas, a começar pela falta de credibilidade em relação aos políticos. É inegável que a imagem dos políticos não está boa. Tanto é verdade que poucos deputados foram eleitos a prefeitos no último pleito. Eis o recado das urnas! Diante desse quadro, urge-se, antes de tudo, que o candidato eleito conquiste essa credibilidade. 

O efeito pedagógico da operação Lava Jato, com certeza, vai refletir positivamente nas futuras gestões. Inegavelmente essa operação vem pontuando que os desvios podem ser facilmente descobertos, o que possivelmente venha melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados e a própria imagem dos políticos. 

O momento é de arregaçar as mangas. É o que se espera!

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