A origem dos acidentes que resultam em mortos e feridos está na falta de fiscalização. Sem ela, os motoristas sentem-se livres para não cumprir as leis.
Acidentes de trânsito ocorridos recentemente, como o que resultou na morte da aposentada Cecília Paredes, 73 anos, que viajava no banco traseiro de um Honda City na Avenida Guaicurus, no Bairro Campo Alto, último dia 9 deste mês, chamam a atenção para a necessidade de as autoridades municipais e estaduais de trânsito retomarem uma fiscalização mais intensa nas ruas de Campo Grande.
No caso do choque entre dois carros, que culminou na morte da aposentada, o veículo Gol, causador do acidente, que transitava pela Avenida Guaicurus, estava claramente em alta velocidade, acima do permitido para a via. Os vídeos captados por câmeras de segurança dos estabelecimentos comerciais da região demonstram isso. O carro em que a idosa estava, cruzava a via quando foi violentamente atingido.
Infelizmente, o poder público só agiu depois que uma vida foi perdida neste acidente. Um quebra-molas foi colocado no local na manhã de ontem. Se algo fosse feito antes, talvez a aposentada ainda estivesse viva, e os motoristas que passam diariamente pela via, estivessem respeitando os limites de velocidade estabelecidos pelas autoridades.
A origem dos acidentes de trânsito que resultam em mortos e feridos está na falta de fiscalização. Claro, muitos motoristas são imprudentes. Porém, quando há policiais e agentes de trânsito nas ruas, ou mesmo equipamentos eletrônicos, quem dirige um automóvel ou uma motocicleta, procura ser mais prudente.
As estatísticas elaboradas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) mostram uma alarmante realidade. Mais da metade dos acidentes de trânsito e das mortes causadas nestas ocorrências, tem como causa a alta velocidade, conforme publicado em reportagem na edição de hoje.
A população tem cobrado mais policiais nas ruas, e mais agentes de trânsito. A falta de sinalização vertical e horizontal também é uma reivindicação para que as leis de trânsito sejam percebidas e obedecidas pelos motoristas.
No caso específico da Avenida Guaicurus, a via foi recapeada recentemente, em 2014, e está em bom estado de conservação. Grande parte de suas placas e faixas estão preservadas. O que falta na via, que está entre as principais de Campo Grande, são mecanismos de redução de velocidade, como radares e lombadas, e também semáforos, para auxiliar motoristas em cruzamentos movimentados, controlar o fluxo e evitar o abuso. Instrumentos como este certamente evitariam o acidente fatal da última quarta-feira.
Aumentar a fiscalização para buscar o pleno respeito às leis de trânsito, e punição exemplar dos causadores de acidentes é o primeiro passo para fazer com que leis referentes à outras áreas, e mesmo a legislação que combate outros crimes, seja devidamente cumprida. O poder público deve se fazer presente para aumentar a sensação de segurança da população. Todos ganham com isso. Lamentavelmente, não se vê muitos agentes de trânsito, nem tampouco policiais militares nas ruas. Sem eles, motoristas abusados, e até mesmo criminosos, sentem-se à vontade para transgredir as leis.