No último final de semana, 271 mil candidatos inscritos para as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) não conseguiram realizá-las porque inúmeras escolas (405 em 21 estados e no Distrito Federal, dados do Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) designadas para a sua realização foram ocupadas por alunos em protesto, segundo eles, à reforma do ensino médio proposta pelo governo e à PEC 241 (Câmara Federal), atualmente 55 no Senado Federal. Diante desse impasse, o MEC (Ministério da Educação) teve que remarcar a prova para esses remanescentes para 3 e 4 de dezembro.
Esse adiamento, por certo, trouxe inúmeros transtornos aos alunos e aos seus respectivos responsáveis, principalmente àqueles, pois lhes estendeu a agonia por mais 30 dias, sem considerar o fato de que muitos deles provavelmente já tinham outros compromissos agendados para essas datas. Não bastasse, acarretará, segundo o governo, em torno de 15 milhões de reais de prejuízo aos cofres públicos. Prejuízo, em última análise, à sociedade brasileira que já vem sofrendo profundamente com a crise econômica que vem enfrentando. Mas isso, como se nota, não sensibilizou os alunos nem tão pouco eventuais entidades ou políticos que estão por trás desse movimento.
Uma coisa é certa, pelo o que se tem noticiado, esse movimento de protesto não representa a vontade da grande maioria de estudantes. O que significa, com efeito, que não é um movimento democrático e consequentemente não está recebendo o respaldo da sociedade como um todo. Para muitos, a motivação é política. A PEC 55 e a reforma do ensino médio são meros pretextos.
Aliás, o instituto Paraná Pesquisa acaba de divulgar uma pesquisa realizada recentemente em que: 69% dos entrevistados desaprovam o movimento; 84% são contra à ocupação das escolas; 28% aprovam; 62,2% entendem válidos os motivos, porém não com invasões. Para 66,1% as motivações são políticas, insufladas por partidos políticos (coluna Cláudio Humberto, Correio do Estado, 07.11.16). A pressão pode até ser legítima, mas não o meio utilizado.
O governo, por meio da AGU (Advocacia Geral da União), está cogitando entrar com ação judicial de ressarcimento das despesas decorrentes do adiamento (15 milhões de reais) contra entidades estudantis e UNE (União Nacional dos Estudantes), o que não está fora de propósito, afinal os danos materiais foram enormes. Até aí, tudo bem, pois os prejuízos aos cofres públicos em face do adiamento são identificáveis. E os prejuízos (moral e material) aos alunos, quem paga?
O candidato ao vestibular ou Enem, sobretudo pelo momento de definição profissional ou de vida, encontra-se em um estágio de ansiedade imensurável, cobrado por si mesmo e pelos respectivos responsáveis. De repente sua expectativa (ao menos de fazer a prova) é adiada. Isso, por certo, lhe traz abalos psicológicos e frustração, sem considerar eventuais prejuízos econômicos e, provavelmente, de outros compromissos previamente agendados.
Diante desse contexto, é oportuno lembrar que o exercício do livre-arbítrio é o que direciona o ser humano entre o certo e o errado. A decisão é sua. Logo, a opção é livre, porém tem suas consequências. O ressarcimento de prejuízos causados é uma delas.
Mas fica a pergunta: quem paga os transtornos causados aos candidatos?