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Confira o editorial desta terça-feira: "Indiferença sobre a dengue"

Confira o editorial desta terça-feira: "Indiferença sobre a dengue"

Redação

15/11/2016 - 03h00
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A memória de muita gente parece estar bem curta. Muitos se esqueceram que só neste ano, 19 pessoas morreram em decorrência da dengue no Estado.

O mês de novembro é considerado pelas autoridades de saúde pública como uma última chance para se evitar uma epidemia de dengue e de outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Neste fim de anois, depois dos milhares de casos registrados no último verão, nunca foi tão necessário lembrar a população de que o trabalho de limpeza dos imóveis e das vias públicas dever ser intensificado.

Informação divulgada ontem pela Coordenadoria de Controle de Vetores da Secretaria Estadual de Saúde revela dado preocupante: só 20% das pessoas fazem o que é necessário para evitar que o mosquito que transmite doenças como dengue, zika, febre chikungunya, entre outras, se espalhe. O pior de tudo, é que 89% das pessoas sabem o que é preciso fazer. A informação revela um desdém da população com a saúde pública. Falta de senso de coletividade.

A memória dos cidadãos sul-mato-grossenses parece estar bem curta, esqueceram-se facilmente que só neste ano, 19 pessoas morreram em decorrência da dengue no Estado, três delas em Campo Grande. Talvez também não não tenham se informado que, mesmo durante o inverno, a quantidade de casos na capital do Estado, e em outros 71 municípios, manteve-se no status de “alta incidência”, conforme boletim da Secretaria Estadual de Saúde.

Para ajudar o cidadão que ainda não fez sua parte para evitar uma nova epidemia de dengue, sempre é bom relembrar a quantidade de casos confirmados de dengue nos últimos seis anos: em 2010, foram 82.597 em todo o Estado; em 2011, 15.506; em 2012, 16.506; em 2013, ano da pior epidemia dos últimos tempos: 102.026 casos, a maioria deles na capital; em 2014, 9.256; no ano passado, 46.070, sendo que a boa parte registrada nos meses de novembro e dezembro; e agora, em 2016, até agora, são 58.654, o terceiro pior ano da série.

Se os proprietários de imóveis não limparem piscinas, quintais, telhados, e se os donos de terrenos baldios mantiverem sem sujeira as áreas sob sua posse, seguramente os números da dengue no próximo ano serão menores que os de 2016. Porém, não é isso que a Coordenadoria de Controle de Vetores indica. O combate ao mosquito Aedes aedypti requer muito mais dos cidadãos que eles pensam. Quando se fala em dengue, lembra-se de saúde pública, e fica mais fácil transferir a responsabilidade da prevenção para as autoridades. O que se espera mais das pessoas é que, além de cobrar que os gestores municipais, estaduais e federais cumpram a parte que lhes cabe, elas também façam a seguinte reflexão: “isso também é problema meu”.

Infelizmente, o mosquito que transmite a dengue e outras doenças, não sabe das regras de propriedade pública e privada estabelecidas por nós, humanos. Estes insetos podem nascer em um terreno, e picar pessoas na casa vizinha. Eles podem se reproduzir num matagal, e espalhar a doença por um bairro inteiro.
 

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