Peço, antes de mais nada, toda a licença poética necessária para escrever um texto “pseudocientífico -filosófico” a bordo de minha pequenez de leiga. Não sou pesquisadora, não sou cientista, tampouco filósofa. Mas, jornalista que sou, interesso-me pelos mais variados e improváveis assuntos, e tenho uma quedinha por questões existenciais. É aí que está a questão.
Dia desses qualquer, fiquei particularmente entusiasmada com algo que li: cientistas procuram diligentemente o princípio de todas as coisas, o princípio da matéria, o que chamariam de “partícula de Deus”. Espere aí. Mas que notícia maravilhosa! Não pelo fato em si, mas pelo possível flerte entre ciência e espiritualidade. Será que entendi certo? Cientistas considerando batizar o início de tudo com uma alusão à divindade! Isso é - para mim, que sou absolutamente crente em Deus - genial!
Talvez seja um clichê, mas o que mais vemos por aí é intelectual ateu. Quanto mais estudioso, mais cheio de dúvidas existenciais, mas convicto de não ser uma criatura, criada por um Criador com algum fim transcendente à matéria. Já ouvi um cientista dizer que, se olharmos para a história da humanidade, chamou-se Deus tudo aquilo que era desconhecido, ou misterioso. Houve culturas em que atribuía-se, por exemplo, divindade ao sol, ao vento, às intempéries. Deus seria a definição do que o homem não entendia ou não dominava.
Hoje, o Deus que muitos dizem conhecer também não se encaixaria na definição do Criador Todo-Poderoso. Apresentam-nos por aí um Deus arbitrário, segregador, que pune, que castiga, que permite doenças e injustiças. Que Criador seria esse, com prazer ou intenção no sofrimento e desgraça de suas criaturas? Deus nos livre!
Pois bem. Chega de especulações. Vamos à fonte mais confiável e atemporal quando o assunto é Deus. Como Ele próprio Deus se apresenta em seu livro oficial, a Bíblia? Bingo! Ele se apresenta com um impactante e estrondoso EU SOU. Assim, só isso. Tudo isso. O princípio e o fim, o alfa e o ômega, infinito. Algo que simplesmente é, imaterialmente falando. Algo que dispensa qualificações, predicativos do sujeito. O sujeito em questão é pleno por si só, é em si a plenitude.
O que isso nos diz? Para mim, diz tudo. Explica não só o que Ele é, mas diz sobre o relacionamento dEle com a humanidade. Aliás, a Bíblia também diz que nós, humanos, fomos criados para ter um relacionamento com o Criador através do nosso espírito. Sabe aquele vazio existencial que muitas vezes pode bater à nossa porta? Pode apostar que esse é um vazio no espírito, que precisa ser alimentado e vivificado por meio do relacionamento com Deus.
Não estamos falando de religião aqui, até porque já disse que não consigo crer em um Deus segregador, lembram-se?
Permitam-me, então, dizer no que eu creio. Creio em um Deus que é o princípio e o fim, que é Pai, o Pai das luzes, que é bom em todo tempo, em quem não há sombra de variação. Creio em um Deus que é incrivelmente grande e infinito a ponto de criar tudo o que existe na natureza, e onipresente para estar no coração de cada um que O busca sinceramente.
Um Deus que, antes da atitude, vê a intenção. Creio em um Deus macro e micro, que tem um colo anatomicamente desenhado para receber perfeitamente e individualmente cada filho. Um Pai que vibra com nossas vitórias, que entristece-se com nossas escolhas erradas que nos geram sofrimento, que está pronto a nos orientar para que não permaneçamos no erro. Creio em um Deus que é vida. Em um Deus que É.
E nessa história toda, o que merece ser descoberto, antes de mais nada, é que o EU SOU existe sim, e anseia por habitar em cada um de nós, emprestando-nos da Sua plenitude, mesmo em meio aos percalços e dias maus. O EU SOU em nós é a grande descoberta. NEle, você É. NEle, EU SOU.