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OPINIÃO

Walter Roque Gonçalves: "O mantra da crise"

Consultor de empresas

Redação

01/12/2016 - 01h00
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A palavra “crise” tem sido repetida nos últimos meses como um mantra, que entorpece os sentidos e aniquila as esperanças, até mesmo daqueles que ainda contam com reservas financeiras e que poderiam investir em negócios que gerariam mais emprego e renda. Claro que, diante do quadro de incertezas que vivemos, a atitude é compreensível. Entretanto, sempre há saídas para o empreendedor atento e disposto a evoluir. 

Fechar uma empresa é um risco natural. Muitas vezes se fecha um negócio simplesmente pelo fato do empresário entender que não vale mais a pena, pelos cálculos de viabilidade apontarem para o declínio do negócio, e não necessariamente pela empresa estar falida, insolvente, sem condições de pagar seus fornecedores. Neste sentido, se as organizações tivessem investido em controles financeiros mais rígidos e reservas financeiras para suportar esta fase crítica da economia, muitas delas teriam sobrevivido. Mas, ainda há como correr atrás do prejuízo. A primeira questão é evitar o modelo de gestão: comprar, vender e olhar saldo de caixa (contas bancárias). Isto não é o suficiente, já que o mesmo abre brechas para riscos que podem ferir de morte qualquer empresa.

Veja bem, olhar o saldo do caixa e os saldos nos bancos não apuram lucro ou prejuízo da empresa, afinal pode-se ter um caixa negativo num mês em que a empresa teve lucro, ou positivo num período que a empresa teve prejuízos.

Por isso, é preciso que além do fluxo de caixa se tenha a visão sobre os negócios feitos no mês corrente, independentemente de ter recebido ou não o dinheiro. Isso permite apurar lucro ou prejuízo do período e avaliar se o negócio está valendo a pena, se o dinheiro empregado neste é rentável, e assim por diante.
Ao estabelecer este olhar, naturalmente se perceberá que mesmo a empresa tendo lucro pode faltar dinheiro para pagar despesas rotineiras. Porque isto acontece? Simplesmente porque nem tudo que foi vendido, foi recebido. E, é neste ponto que entra àquela reserva de dinheiro com fim de manter a empresa girando, o capital de giro.

O rigor nos controles financeiros e reservas para lidar com as incertezas são os primeiros passos na busca de eficiência empresarial. E não é só! Também será preciso investir no atendimento, no treinamento de funcionários, na observação constante das mudanças de comportamento do consumidor, além de acompanhar os índices de inadimplência, criar mecanismos eficientes de cobranças, deve-se ser mais criterioso para conceder créditos, para estocar, demitir e contratar.

Por isso, não podemos nos deixar entorpecer pela ideia de crise, como se isto fosse um mantra para moldar nossos comportamentos. Se há algum mantra a se perseguir, que seja na busca de soluções, diante do olhar atento às oportunidades e organização da empresa. 

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