Gestores estão completamente sem rumo ou simplesmente não querem ver o Aquário do Pantanal pronto e impulsionando o turismo.
O abandono da obra do Aquário do Pantanal - com 95% do empreendimento concluído - expõe ineficiência administrativa e falta de vontade política. Os argumentos para a paralisação dissipam-se facilmente, principalmente se contrapostos a declarações anteriores que demonstravam possibilidades, inclusive financeiras, de concluir o investimento.
Durante dois anos, a gestão de Reinaldo Azambuja esbarrou em contradições. Elaboraram auditorias, apontaram falhas e irregularidades, as quais, sem dúvida, precisam ser investigadas. Mas, jamais poderiam servir como justificativa para abandono dos trabalhos. Anunciaram valores que, pouco depois, foram corrigidos e, mais uma vez, os custos subiram. Alardearam até a retomada dos trabalhos, em março deste ano, praticamente de forma fictícia, pois não ocorreram avanços. Agora, desenha-se a parceria com empresa privada para, enfim, concluir a obra.
Há duas hipóteses: os gestores estão completamente sem rumo ou simplesmente não querem ver o Aquário do Pantanal pronto e impulsionando o turismo em Campo Grande. Sabe-se que quando estiver recebendo público e gerando empregos esse megaempreendimento terá potencial para se transformar em importante legado, um marco de gestão e, consequentemente, insígnia política. Da mesma forma, deixar o investimento milionário, que já consumiu R$ 200 milhões dos cofres públicos, virar “elefante branco” terá capacidade de arruinar a imagem de seu idealizador. Espera-se que motivações com cunho eleitoreiro não estejam relacionadas a esse abandono.
Nos dois anos em que nada foi feito, seria possível até ter lançado nova licitação, eliminando o impasse relacionado a aditivo contrato - que pela lei não pode ser superior a 25% do montante inicialmente estabelecido. Mas, apareceu a desculpa da falta de verba. Frequentemente, a crise econômica vem sendo justificativa para a letargia no setor de infraestrutura. Todos os estados e municípios estão sendo castigados pela queda na arrecadação. Isso não se discute.
Porém, Mato Grosso do Sul, felizmente, pode contar com algumas verbas extras. Em setembro do ano passado, recebeu R$ 1,419 bilhão dos depósitos judiciais dos precatórios. Obteve fôlego de R$ 650 milhões com renegociação das dívidas com a União, com o acordo aprovado em agosto. Mesmo assim, as contas continuam no vermelho. O último relatório mostrava deficit de R$ 337 milhões e aumento no gasto com pessoal. Sem investir praticamente nada, a gestão estadual vem tendo dificuldades para manter equilíbrio financeiro.
As poucas obras limitam-se a recursos pagos pelos produtos rurais, por meio do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul), que teve ampliada sua utilização para cidades e estradas. O pacote de obras de R$ 2,7 bilhões, que inclui recapeamento e pavimentação de várias rodovias, segue apenas no patamar de promessas, dependendo de complicada negociação para vializar a liberação de recursos.
A deterioração da construção do Aquário representa a marca do fracasso do poder público. Campo Grande não pode ser punida por falta de vontade ou decisões equivocadas. Afinal, o erro já está evidente ao deixar esquecida, por dois anos, obra faltando apenas 5% para ser concluída.