No Sul do Estado, região que chove muito no verão, é preciso atenção redobrada em obras e projetos, e muita manutenção preventiva.
Pelo segundo ano consecutivo, municípios do sul do Estado são castigados pelas volumosas - e em alguns casos - violentas chuvas. De dezembro de 2015 até agora, foram 34 decretos de emergência municipais, e até mesmo um decreto do governo do Estado. Decorrido todo este tempo, a constatação é de que esta região de Mato Grosso do Sul continua muito vulnerável às ações da natureza.
Já são cinco cidades em estado de alerta desde o início do mês: Aral Moreira, Mundo Novo, Eldorado, Iguatemi e Paranhos, esta última, por enquanto, a mais prejudicada. Para piorar o cenário, as previsões dos meteorologistas são pessimistas: este mês de dezembro será chuvoso, e a população destes municípios pode ter ainda mais transtornos.
Paranhos, por exemplo, está praticamente ilhada com o desmoronamento de parte da MS-295. Poucos são os motoristas que se arriscam a passar no que sobrou da pista, onde parte do aterro foi levado pela enxurrada. No ano passado, os moradores do município também sofreram as consequências do excesso de água. A situação se repete.
Entre as cidades de Iguatemi e Juti, a ainda nova - e na garantia - MS-180 tem dezenas de trechos que desmoronaram, e que correm risco de desabamento. Só os corajosos - ou quem tem propriedade rural na região - se arrisca a passar pela estrada.
Sabemos que o ano de 2016 foi um período desafiador para os gestores. A combinação de queda na arrecadação e crescimento das despesas atou as mãos de muitos prefeitos, que tinham pouco ou quase nada para investir em infraestrutura.
O socorro do governo do Estado, que ajudou a reconstruir pontes e recuperar estradas, ainda que útil e necessário, foi insuficiente. O governo federal, em crise política absoluta todos os dias deste ano, praticamente não ajudou na melhoria das condições de infraestrutura dos municípios.
O que se espera dos novos prefeitos das cidades do Sul do Estado, que assumem seus cargos no próximo dia 1º de janeiro, é muito planejamento e investimento em prevenção de enchentes e de desmoronamentos. Nesta região, de solo arenoso é preciso atenção redobrada nas obras e projetos, e muita manutenção preventiva.
Nem mesmo rodovias administradas pela iniciativa privada, no caso da BR-163, conseguiram escapar dos problemas causados pelas volumosas precipitações.
No ano passado, trecho da rodovia entre Eldorado e Itaquiraí ficou um mês inteiro interditado, e neste ano, houve fechamento parcial entre as cidades de Itaquiraí e Naviraí, com a liberação do tráfego em meia pista. Nos dois casos, o desmoronamento de aterros foi a causa.
Além do alerta dos meteorologistas já mencionado, de que a situação nesta região de Mato Grosso do Sul pode piorar ainda mais, pois vem mais chuva pela frente, fica outro alerta: aos gestores públicos. É deles a responsabilidade de evitar que os produtores rurais desta parte do Estado tenham prejuízos no escoamento de sua produção, e que estudantes consigam chegar às salas de aula. Sem que façam o dever de casa, ficará difícil culpar a natureza pelos mesmos problemas, todos os anos.