De nada adianta anunciar projetos se as informações e a assistência não chegarem às pessoas que desejam produzir.
A demanda aumenta, mas Mato Grossodo Sul continua estagnado na produção de frutas e verduras. A dependência de outros estados é praticamente a mesma há três anos e alcança 90% de tudo que é consumido nos municípios. A maior parte da banana vendida em Campo Grande vem de Santa Catarina, a melancia de Goiás, a laranja do Paraná, a maçã do Rio Grande do Sul, o abacaxi de São Paulo e o melão do Rio Grande do Norte.
Em alguns casos, os itens precisam rodar mais de mil quilômetros até chegar à mesa do consumidor. O preço certamente aumenta. Perde-se dinheiro, qualidade dos produtos e oportunidade de gerar empregos. Indigna saber que medidas simples poderiam ajudar a reverter esse cenário, mas pouco é feito.
O governador Reinaldo Azambuja, durante a campanha eleitoral, enfatizou frequentemente a necessidade de lançar programa de incentivos para agricultura familiar. Em abril deste ano, anunciou investimentos de R$ 15 milhões para compras de máquinas e insumos distribuídos entre as cooperativas de agricultura familiar e pequenos produtores.
A maior parte dos recursos seria do Governo Federal e o restante dos cofres estaduais. Passados mais de nove meses, não temos informações concretas sobre esses investimentos e ainda não foi possível acompanharmos mudanças significativas em relação à produção local de hortifrútis.
Nessa mesma letargia seguem outras ações importantes, a exemplo do programa de recuperação de pastagens. De nada adianta anunciar projetos se as informações e a assistênia não chegarem às pessoas que desejam produzir. A incoerência segue na hora que o pequeno produtor sul-mato-grossense precisa vender os produtos.
Muitas vezes, acaba comercializando por valores mais baixos que os itens importados devido a uma série de exigências, que incluem aspectos da produção, transporte e até as caixas usadas para armazenamento. Os produtos vindos de outros estados já contam com selo, marca que os diferencia e contam até mesmo com melhores embalagens para transporte. Há uma concorrência em que, infelizmente, os agricultores locais estão perdendo. Isso precisa ser revertido.
Os primeiros passos estão sendo dados, mas são extremamente lentos. A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) disponibiliza estrutura na Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa) de Campo Grande para os agricultores locais, mas nem todos conseguem os mesmos preços que os grandes fornecedores de outros estados. O Governo do Estado precisa agir para reverter essas perdas. Só assim, teremos condições de ter mais pessoas produzindo e, consequentemente, ofertando frutas e verduras de qualidades por preços menores.
A atual gestão concedeu valorosos incentivos, isentando de impostos, grandes empresários, a exemplo da JBS. Não pode se esquecer de agir com justiça para também valorizar os pequenos, que contribuem para a cadeia produtiva. Em tempos de crise, essa dependência inalterada há anos configura claro desperdício de oportunidade. É preciso “ir a campo”, agir e tirar os planos do patamar de promessas.