Ouvi esta expressão de um amigo, atravessando Brasília. De um lado, o Congresso Nacional, de outro, as pessoas protestando e a universidade ocupada. E nós, à beira de um evento acadêmico.
O que você vai fazer hoje? É tanta coisa pra escolher que parece não haver tempo para pensar sobre as escolhas. Tudo parece acontecer muito rápida e superficialmente. Meu amigo Salvetti confessa que seu Facebook é bipolar. Um bom achado. O que se diz hoje, será desdito amanhã.
Você assinou aquela petição ontem? Ralou-se. Ela já foi completamente alterada. O que se pode fazer nessa vida on-line? Autoajuda pode, porque, afinal, você escolhe o que vai ser quando crescer. Testes de percepção visual, receitas para todos os gostos e orações para todos os santos também podem.
Ah! As belas paisagens, que dificilmente visitaremos, estão todas lá! Mas cuidado se você não for completamente feliz! Será tratada como culpada, incompetente, materialista, workaholic etc, etc. Se estiver satisfeita com sua vida, prepare-se para ouvir conselhos para mudar tudo, porque o tempo não para e você está perdendo a corrida. Deus nos livre de postar alguma coisa mais poética. Achei graça de uma observação postada no meu Facebook que, em resumo, dizia mais ou menos isso: as pessoas que ainda têm capacidade para fazer e ler poesia estão do lado contrário daqueles que fazem opção pelos humilhados e ofendidos e que nunca terão uma vida feliz.
Certamente. Mas não porque fizeram opção pelos humilhados e ofendidos, apenas porque não têm capacidade de ler um poema e descobrir, nos jogos de sensibilidade que ali nos são dados, uma maneira de ver o mundo. O que não significa estar alheio ao que acontece. Indo por este raciocínio falacioso, quem faz opção pelos humilhados e ofendidos não poderia também ouvir música erudita, assistir a filmes de arte, etc, etc.?
Mas é assim mesmo, afinal, “a gente é rascunho de pássaro, não acabaram de fazer”.
Por isso também não podemos voar quando queremos matar a saudade das pessoas queridas, independentemente de milhas ou ofertas imperdíveis oferecidas pelas companhias aéreas, sempre para lugares que não precisamos ou não queremos ir.
Escolher, eis a questão. Passamos um ano submetendo-nos a escolhas e o menu foi extenso. Sai ou não sai, entra e não cai, vai pra rua ou fica no sofá, admite mas não é bem assim, tretou mas não rolou.
É só mudar a conjunção e tudo muda de figura. Cara de pau virou sinônimo de inocência; dinheiro roubado, contribuição; preconceito, divergência cultural; pregação religiosa, gritaria às 8 da manhã de domingo. Mas quer saber? Relaxa!
As festas de fim de ano estão chegando e tudo vai estar bem, no melhor dos mundos possíveis. Sem candidices ou polianices, com muitos impostos a pagar, o próximo ano vai se apresentar, ao que tudo indica, sem mudanças no cardápio. Ainda assim, vamos ter que escolher.