Na longa caminhada já percorrida, tive o privilégio de conhecer e sobretudo conviver com personalidades por quem guardo respeitosa admiração pelo caráter moldado pela ética, costumes morigerados, acentuado espírito público, acrisolado por expressiva cultura humanística, que os emolduram.
Lembro-me dentre eles de Demóstenes Martins. Dele, pela oportunidade, retiro um trecho de suas luzes: “ Nesses dias em que vivemos onde é causa corriqueira a prática de atos desonestos, fraudulentos e amorais especialmente no trato da causa pública, generaliza-se a suspeita contra todos que exercem uma parcela, por mínima que seja, no Governo e na Administração Pública” – lançadas a mais de meio século.
Penso o que diria o nosso saudoso e conterrâneo ilustre Demóstenes Martins se hoje estivesse observando estarrecido a podridão que tem vindo à tona pela ação das mangueiras que expelem águas turbinosas pelo mando do Ministério Público Federal, da Polícia Federal analisadas e punidas pelo critério perspicaz e justo do juiz Sérgio Moro - sobretudo um magistrado.
Penso, também, que não se deve generalizar o conceito – que alguns tentam tornar lugar comum – de que a corrupção estendeu-se a tudo e a todos os que exercem a função pública, que tudo é joio. A prova maior está justamente no trigo que floresce robusto, nutrido pela uberdade de consciências sadias, da água cristalina e desinfetante de componentes dos sistema de governo. Aí estão os organismos de Estado que formam os Três Poderes atentos pelo restabelecimento do primado da moralidade no trato do bem público. Isto gera uma fundada esperança de novos tempos para a democracia em nosso País.
Penso que haverá dias longos a percorrer e sobre pedregulhos em que reformas drásticas terão que ser impostas para colocar em trilhos as políticas que levem ao Estado a recuperação da ética, da moral, como apanágio dos que tem a missão de dirigente público, do restabelecimento da ordem econômica, da justiça social, também daquela que há de conduzir todo o processo regenerador da nossa Política, esta com letra maiúscula. Aí penso da reforma das instituições, aquelas das quais as outras dependem: reformas que dizem do sistema de governo – para o parlamentarismo; da legislação eleitoral que determine uma lei altiva para regulamentar a existência e ação dos partidos políticos.
Penso numa profunda mudança nas bases constitucionais do já arcaico sistema federativo para que os Estados federados sejam na forma e no conteúdo autônomos da União, não como meros portadores de “pires na mão” à madrasta ocupante do Palácio do Planalto.
Estamos no limiar de um ano novo labutando neste agonizante gerador de tantas tempestades políticas, econômicas, gerador de tensões a todos nós brasileiros, mas também de expectativas advindas dos resultados das eleições municipais de que Deus é realmente brasileiro e jamais nos abandonará!
Às férias. À todos, meus cumprimentos, que a felicidade e a paz estejam presentes em suas famílias no Natal e no Ano que se abrirá em 2017!