Marcos Trad tem a seu favor começo promissor, evidenciado nas urnas e nas ações logo após o resultado das eleições.
Os dias que antecedem a passagem de um ano sempre são usados para reminiscências e balanço das resoluções, estas, nem sempre cumpridas.
É o período escolhido para relembrar as expectativas criadas e avaliar a resolutividade dos projetos executados. Indo além das considerações pessoais, este ano, a população em Campo Grande ainda tem muito a ponderar sobre os caminhos políticos que foram tomados nos últimos tempos e os efeitos disso que ainda irão perdurar.
Não deixa de ser aprendizado para os que votaram em Alcides Bernal e, na esteira, no então vice Gilmar Olarte. A promessa de mudança e de novos rumos não se concretizaram e as consequências nocivas são explícitas.
Para quem nasceu ou vive na cidade há alguns anos, a diferença é evidente no asfalto esburacado, no recrudescimento de manifestações de servidores e terceirizados insatisfeitos com condições de trabalho e atraso de salários, além do volume de decisões judiciais contrárias ao Executivo.
O espectro dessa ingerência ainda deve pairar, principalmente, nas contas do Executivo. O relatório da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício financeiro 2017 prevê arrecadação de R$ 3,59 bilhões, mas, a secretaria de Finanças admite total R$ 250 milhões menor.
Porém, até esta projeção deve ser revista, uma vez que a situação financeira beira à calamidade.
A difícil missão de reverter este cenário negativo está nas mãos do próximo gestor, Marcos Trad (PSD), mas que conta com apoio da população, conforme pesquisa divulgada na edição de ontem do Correio do Estado: 60,52% dos entrevistados acreditaram que a administração dele será ótima/boa e apenas parcela pequena, 8,75% têm perspectiva negativa, opinião pautada no já conhecido descrédito do povo com a classe política. Infelizmente, desde a descoberta de grandes escândalos de corrupção, como na Operação Lava Jato, o desânimo tem sido a regra. Não há como se culpar os incrédulos.
Marcos Trad tem a seu favor começo promissor, evidenciado nas urnas e nas ações logo após o resultado das eleições. Estabeleceu diálogo com o governador do Estado, Reinaldo Azambuja, para evitar que as rugas durante o embate eleitoral se perpetuassem durante a administração municipal.
Também estabeleceu relação com a Câmara de Vereadores, esta, espera-se, parcialmente renovada, com 11 vereadores, além dos 18 que conquistaram o voto de confiança dos eleitores. Que aprendam com os erros cometidos na última legislatura para que a população não sofra as consequências, a exemplo do que aconteceu na gestão de Bernal, em que ainda inexiste relação mínima de tolerância.
Os últimos anos tem sido difíceis em Campo Grande. É penoso acompanhar a ruína que se tornou a capital sul-mato-grossense. Independentemente da escolha nas urnas, hoje, todos esperam por mudanças urgentes.
Não há como se evitar o pragmatismo de se considerar que os bons tempos ainda demorem para acontecer, em vista das dificuldades financeiras que todas as administrações irão passar. Mas é saudável esperar; afinal, temos um novo ano pela frente.