Sem dúvida, 2017 será um ano de paciência, em que todos os cidadãos continuarão pagando preços altos pelos equívocos de gestores
Ano de grave recessão econômica, aumento do desemprego, escândalos de corrupção e instabilidade política. Estas foram algumas das marcas de 2016, ano de dificuldades. A sequência de crises causou perplexidade, a começar pela cassação do mandato de Dilma Rousseff da Presidência da República, prisão do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha, além de vários outros políticos investigados ou até réus em processos. A vontade é virar a página, buscar recomeços, transformações, mas sabe-se que essas aspirações – típicas do período em que chegamos a um novo ano – podem demorar a acontecer. Lições foram aprendidas e espera-se que sirvam de reflexão para evitar que as mesmas falhas de hoje sejam repetidas.
Estados e municípios foram castigados pela turbulência econômica. Empresas tiveram de fechar as portas, trabalhadores foram demitidos, indústrias reduziram produção e o consumo diminuiu. Como consequência, a arrecadação caiu. Gestores que não se planejaram ou não tiveram cautela para conter despesas e buscar alternativas para melhorar as finanças estão enfrentando sufoco. Foi o que ocorreu em Campo Grande. Despreparada e ineficiente, a gestão de Alcides Bernal sucumbiu ao desastre econômico, levando a cidade ao colapso atual. O prefeito eleito, Marcos Trad, estima que precisará de praticamente todo o ano de 2017 para “arrumar a casa” e tentar tirar o município da situação emergencial.
Os problemas estão visíveis nas ruas repletas de buracos, nas caçambas cheias de entulho porque o aterro está fechado, nos canteiros de avenidas com matagal, nos parques esquecidos e nas obras paralisadas. Além desse cenário, há a catástrofe nas finanças, que ainda não pôde ser dimensionada. O deficit é de, pelo menos, R$ 360 milhões. Contratos foram rompidos e prestadores de serviços estão sem receber. Também não é possível calcular as dimensões do tamanho do problema. Assim que assumir a prefeitura, Marcos Trad terá de priorizar urgências (que são muitas) para, ao menos, não deixar faltar itens essenciais, como já vem ocorrendo inclusive na área da saúde. Há meses, faltam remédios e materiais para exames.
Será preciso compreensão, sem apelar para o radicalismo, pois protestos ou paralisações podem agravar a instabilidade, gerando consequências mais críticas e até desemprego. Sem dúvida, 2017 será um ano de paciência, em que todos os cidadãos continuarão pagando preços altos pelos equívocos de gestores. O governo federal inicia reformas trabalhista e previdenciária, que afetam a maioria dos brasileiros, numa tentativa de encontrar saída para o sufoco financeiro, resultante do descontrole administrativo. Retomar a credibilidade de investidores não tem sido fácil, ainda mais diante de novos escândalos que continuam sendo revelados pela Lava Jato. Em Campo Grande, Marcos Trad terá de buscar o diálogo com fornecedores até equilibrar as contas, além de resolver impasses decorrentes de décadas, a exemplo dos convênios com Omep e Seleta. Não existem milagres. Há um longo processo, que exige planejamento e organização, para retomar o crescimento.