Aos trancos e barrancos, 2016 conseguiu chegar ao fim, sacolejando a poeira, guardando as bandeiras e os gritos de Abaixo Fulano, Fora Sicrano, que lhe furaram os tímpanos, turvaram-lhe ainda mais sua visão, corroeram-lhe entranhas e coração. Chegou cansado. Exaurido.
Os maus políticos não lhe deram trégua. O povo não lhe deu trégua. E aconteceu de ruas - esburacadas ou não - terem sido tomadas de assalto; ônibus incendiados; escolas invadidas; patrimônios públicos depredados, por conta dos milhões, bilhões desviados para os bolsos e contas bancárias daqueles que deveriam cuidar da educação, saúde e segurança de uma gente sofrida.
Os três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, se confundiram em suas finalidades, extrapolaram seus limites e invadiram as searas uns dos outros...
De fato, Ele, 2016, enfrentou uma senhora confusão fazendo com que muitos se esquecessem de que a prioridade continua sendo a de deixar vir o Homem Transformado, o Homem que se liberta da egolatria, se volta para uma nova consciência onde não cabem a vaidade, a maledicência, a mesquinharia, material ou afetiva. Um Novo Homem que não se deixa aprisionar pela fragilidade das correntes partidárias, sejam elas de esquerda, de centro ou direita. Que caminha com segurança, vestindo azul, verde, rosa ou vermelho, e que acolhe e não critica as cores do Arco Íris. Nem sempre esse Homem Novo será compreendido. Poderá até ser chamado camaleônico. Se você é um deles, não se intimide: está na trilha certa para “se expor à Luz e se tornar Luz”, princípio universal expressado por Paulo, o Apóstolo.
Continue sentindo alegria em compartilhar seus possíveis conhecimentos e saberes a quem os solicitar, afinal, a luz do Sol não é seletiva. Nada mais gratificante do que conseguir chegar ao final do ano com a sensação de não ter colocado mais “lenha na fogueira” de um mundo já tão conturbado. Pelo contrário, você foi aquele beija-flor da fábula que Betinho gostava de contar como metáfora para o ato solidário e que diz mais ou menos assim:
-Houve um incêndio na floresta e enquanto todos os bichos corriam apavorados, um pequeno beija-flor ia do rio para o incêndio levando gotinhas de água em seu bico. O leão, vendo aquilo, perguntou para o beija-flor: “Ô beija-flor, você acha que vai conseguir apagar o incêndio sozinho?”
E o beija-flor respondeu:
-”Eu não sei se vou conseguir, mas estou fazendo a minha parte”.