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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Paciência e esperança"

Editorial deste domingo: "Paciência e esperança"

Redação

08/01/2017 - 02h00
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Ao tomar posse, Trad pediu voto de confiança e paciência, fatores essenciais para que consiga reveter a situação atual.

A cada dia que passa, a população em Campo Grande descobre as atrocidades cometidas durante a gestão de Alcides Bernal. Em uma semana no cargo, o prefeito Marcos Trad (PSD)divulgou alguns dos excessos administrativos do pepista, mostrando que o cenário já desastroso ganha cores cada vez mais fortes. Ao tomar posse, Trad pediu voto de confiança e paciência, fatores essenciais para que consiga reverter a situação atual. 

Na edição de sexta-feira do Correio do Estado, foi divulgada a descoberta de estoque reduzido para a merenda escolar, que mal suprirá a demanda de trinta dias. Além disso, nove toneladas de arroz foram para o lixo, depois que encontraram caruncho  no produto. Antes, o prefeito havia se surpreendido ao descobrir que não poderia usar os R$ 252 milhões deixados no cofre para o pagamento do salário dos servidores. A maior parte do montante é direcionada para setores da saúde ou educação, por exemplo, e não podem ser desvirtuados da destinação. Restaram pouco mais de R$ 30 milhões para equacionar a difícil conta de pagar a folha de dezembro e o 13º, que ultrapassam o R$ 100 milhões. A saída será aguardar o que for arrecadado com Imposto Predial e Territoral Urbano (IPTU) para finalizar o repasse ao funcionalismo público.

Outra descoberta foi o montante em dívida deixado pelo antigo gestor: R$ 363,4 milhões em conta com prestadores de serviços e fornecedores. Não é de se espantar a decisão de Marcos Trad de suspender contratos para analisar o que foi feito e cancelar o que foi empenhado, mas não executado. É momento de avaliar criteriosamente quais são as prioridades do Executivo para não incorrer em erros que comprometam ainda mais o caixa. 

É fato que as mudanças não acontecerão da noite para o dia. Antes mesmo de assumir, Marcos Trad havia projetado que, somente em 2018, a cidade poderá sair do estado de coma em que se encontra. Chega a ser expectativa otimista, se comparada com avaliação do presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul, Juvenal Neto que estimou que  a “luz no fim do túnel” só será vista a partir de 2019; Neto acredita que 2017 e 2018 ainda serão anos complicados para a economia, com caixa deficitário e com necessário enxugamento de gastos para adequar  a realidade financeira que ainda existe em todo o País.
   

Neste momento, é preciso recorrer a todas as possibilidade para tentar dar fôlego ao caixa. Uma das estratégias será o pente-fino nos benefícios concedidos às indústrias, além de averiguar as brechas da legislação que permitem isenção ou redução tributária. A ampliação do Refis e do prazo de pagamento do IPTU também serão importantes para amenizar a situação financeira. Há, ainda, outros problemas pendentes, como o fechamento de parques e interdição do aterro sanitário, este, contribuindo para piorar a paisagem em Campo Grande: além dos buracos, centenas de caçambas lotadas de lixo espalhadas pela cidade. A taxação dos caçambeiros, aliás, é projeto que deverá ser levado adiante com celeridade. Aos poucos, espera-se que o cenário se reverta e possamos ver novamente as belezas da Capital. Que a população tenha paciência, perseverança e, acima de tudo, esperança.

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