Mesmo adotando cautela, é de se comemorar o fato de Mato Grosso do Sul fechar o ano de 2016 com geração de empregos em destaque, porém, sem esquecer do índice de fechamento de postos
É um alento encontrar números que ilustram aspecto positivo na economia brasileira. A notícia divulgada na edição de hoje do Correio do Estado é exemplo disso. No crescente índice de desemprego, atualmente, atingindo 12 milhões de pessoas, é crucial identificar os caminhos do crescimento e os aspectos que levaram a este resultado. No caso específico, o bom desempenho que vem dos municípios do interior, que fecharam o ano de 2016 com saldo positivo de vagas.
Ainda está longe do cenário ideal, em decorrência da penosa recessão que ainda perdura e surtirá efeito nos próximos anos, mas demonstra que há setores que conseguiram sobreviver em meio à crise.
Em Mato Grosso do Sul, o saldo positivo foi de 6,7 mil vagas, concentradas em cidades do interior, como Três Lagoas, Aparecida do Taboado, Nova Andradina e Maracaju. A impulsão, via de regra, é ocasionada pela agropecuária, ainda, a mola propulsora do Estado. Embora tenha sofrido queda na expectativa de safra no decorrer do ano passado, o resultado foi positivo, mesmo levando em conta a sazonalidade da atividade, na entressafra. Até em Campo Grande a atividade rendeu frutos, com saldo positivo na geração de empregos. No cômputo geral, o resultado da Capital ainda é negativo, com fechamento de 2,4 mil postos de trabalho.
Outro diferencial no resultado nos municípios do interior é a retomada de projetos de expansão de indústrias nessas localidades, como a de celulose ou instalação de fábrica de processamento de milho. Na esteira, mesmo que com desempenho tímido, o setor de serviços, impulsionado justamente pela migração de trabalhadores para atender à demanda nessas localidades.
Isso não quer dizer que os municípios não estejam enfrentado dificuldades financeiras, a exemplo do resto do País. Em muitas prefeituras, a situação é a mesma: deficit orçamentário, contas a pagar e atraso nos salários de servidores. Na avaliação de economistas e dos administradores, 2017 ainda será ano de letargia econômica, influenciada pela recessão dos últimos anos. Talvez, na melhor das hipóteses, “pare de piorar”.
O ano de 2018 seria o início de recuperação realmente palpável, que comece a refletir na geração de empregos e elevação da renda. O próximo ano, aliás, é a meta prevista para Campo Grande sair do coma, segundo prefeito Marcos Trad. Pelos números descobertos recentemente, que surpreenderam a equipe da nova gestão, talvez esta projeção tenha de ser revista para que não se dê esperanças onde não há fatos que a corroborem.
Mesmo adotando cautela, é de se comemorar o fato de Mato Grosso do Sul fechar o ano de 2016 com geração de empregos em destaque, porém, sem esquecer do índice de fechamento de postos de trabalho, que contribuiu para o resultado negativo do País. Há, ainda, muito o que se fazer, e os novos gestores terão pela frente mandato de adversidade econômica. Que venham preparados e mostrem a que vieram, com celeridade e eficiência.