Sinalizações positivas servem como alento e perspectiva de que, com organização e planejamento,
o crescimento possa ser retomado.
Os raros sinais de fôlego na economia ainda permanecem demasiadamente distantes da recuperação necessária para amenizar o desastre financeiro. A leve queda na inflação, no comparativo de 2016 com 2015, e a queda de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) são encarados como pontos positivos para tentar retomar, em parte o otimismo no mercado e estimular investimentos. Ainda serão muitos percalços para reverter os prejuízos do ano passado. Gestores municipais receberam herança de problemas e contam com pouca receita para atender a série de demandas no setor público. Em Campo Grande, por exemplo, os valores arrecadados já estão praticamente comprometidos para quitar dívidas ou honrar compromissos, o que acaba inviabilizando as oportunidades de concretizar novos investimentos.
Até o dia 11 deste mês, a Prefeitura da Capital conseguiu arrecadar R$ 182 milhões, principalmente com pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Mas, não conseguirá deixar nenhum centavo dessa principal receita municipal em caixa. Infelizmente, ainda levará tempo até sair do “sufoco” que se tornou prática corriqueira na antiga gestão. A provisão financeira deixou de existir e a quitação das despesas mensais dependia apenas do que fosse arrecadado naquele mês. Assim, o deficit passou a ser inevitável e crescente. Uma “bola de neve” que, aos poucos, precisará ser contida.
Em todo País, governadores e prefeitos patinam para tentar cumprir suas obrigações básicas, o que infere a dificuldade em depender do poder público para tentar reverter esse cenário nefasto. Aliás, é importante considerar que equívocos cometidos e ineficiência de gestores foram fortes fatores de influência para os problemas enfrentados atualmente. O Brasil atravessou um de seus momentos políticos mais turbulentos, com cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff, e sequência de escândalos reveladas pela Lava Jato. O desgaste foi inevitável. Não há como dissociar o impacto para agravamento da crise econômica.
O mercado começa a responder às reformas que estão sendo discutidas pelo Governo Federal, algumas aprovadas e outras com resistência no Congresso . Há desconfiança de grande parte da população, que teme ter de “pagar mais essa conta”.
Alguns bancos já anunciaram a redução na taxa de juros para suas linhas de crédito, baseada na queda da Selic, algo que pode refletir em novos investimentos em áreas que ficaram praticamente estagnadas no ano passado, além de servir de estímulo ao consumo. Há, apenas, o risco de aumento da inadimplência, que já está em níveis alarmantes.
Por isso, a tendência ainda é de cautela. Os resultados devem demorar a aparecer. O saldo de 2016 é extremamente preocupante: 12 milhões de desempregados no País, empresas fechadas (foram 2,6 mil apenas em Mato Grosso do Sul), inflação alta, que impactou no preço até de produtos essenciais, como alimentação. Muitas famílias foram obrigadas a reduzir consumo, mudar hábitos, as demandas no setor público aumentaram e o poder público viu arrecadação cair. Neste cenário, sinalizações positivas servem como alento e perspectiva de que, com organização e planejamento, o crescimento possa ser retomado.