Retomar essa confiança é um dos desafios e a mudança de gestão gera essa expectativa. O caminho é dar o exemplo.
Regras importantes para disciplinar o bem estar coletivo tornaram-se apenas fictícias, com pouco ou nenhum efeito prático. Quando o poder público deixa de cumprir suas obrigações básicas com a sociedade abre precedente para o descontrole das ações individuais. Por isso, preocupa a displicência com a fiscalização e também a incoerência na aplicação da verba pública. O contribuinte, obviamente, quer retorno daquilo que desembolsa em impostos todos os meses. Decepciona-se quando isso não ocorre: ruas esburacadas, obras inacabadas e saúde em colapso expõem apenas parte desse cenário preocupante que ocorreu nos últimos anos em Campo Grande. É o momento de recuperar a credibilidade do poder público e, consequentemente, da capacidade de investimentos e benfeitorias que dependem dessa parceria com a comunidade.
A prefeitura precisa dar o exemplo, algo que não vinha ocorrendo. Em suas definições acerca da política, o filósofo Aristóteles já nos apontava a virtude e formação moral dos indíviduos como atribuições do estado, tendo a coletividade como superior ao indivíduo. Nesse preceito, são amparadas leis que disciplinam a vida em sociedade. Mais que a exigência dessas regras, há necessidade de mudanças culturais, que só ocorrem se houver essa transformação na opinião pública. Hoje, a noção de política e poder público sofre forte desgaste, impactado pela ineficiência na condução da economia e pelos escândalos de corrupção no País. Somente com transformações nas ações corriqueiras será possível reverter esse cenário. O convencimento a cumprir obrigações, portanto, tornar-se-á consequência natural.
Temos hoje regras para construção de calçadas, com padrões definidos, piso tátil e espaço próprio para garantir absorção da água da chuva. Na prática, o que se vê são vários obstáculos aos pedestres, o que inclui aquelas que estão destruídas, as que foram feitas de forma inadequada ou até espaços onde é preciso circular por terra ou mato. Existe regulamentação também para exigir a limpeza de terrenos e até dos quintais de residências, mas basta percorrer alguns bairros para constatarmos o desleixo, inclusive em áreas que pertencem ao poder público. O exemplo não existe, tampouco o trabalho de vistoria mostra-se eficiente.
A Prefeitura de Campo Grande espera, enfim, adotar exigências para acabar com a esculhambação que ocorre em relação às caçambas. O problema tornou-se mais evidente nos últimos dias depois que decisão judicial determinou o fechamento do aterro de entulhos, no Jardim Noroeste. A intenção é aplicar multa ao locatário, caso haja lixo inadequado ou acima do limite da caçamba. Ainda, exigir que ela fique dentro do imóvel e não mais nas ruas. São normas necessárias para evitar transtornos que estamos vivenciando atualmente.
No momento em que deixou Campo Grande em estado caótico, a prefeitura perde credibilidade, inclusive para cobrar as obrigações que cabem à população. Moradores, inclusive, estavam tendo de cumprir as tarefas do poder público, improvisando até tapa-buraco. Retomar essa confiança é um dos desafios e a mudança de gestão gera essa expectativa. O caminho é dar o exemplo. Certamente, o efeito de cuidado com a cidade será multiplicado.