A julgar pelo abandono da estação ferroviária e do Aquário do Pantanal, o turismo na Capital parece estar, assim como estas construções, em ruínas.
O abandono da estação ferroviária de Campo Grande, no Bairro Indubrasil, denunciado nesta edição, decorre dos delírios de governantes que tentaram, com planos muito distantes da realidade, recriar o Trem do Pantanal. O excesso de saudosismo do ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, que entre os anos de 2002 e 2006 fez campanha aberta com os órgãos federais para retomar a linha de passageiros, resultou em outro excesso que já era esperado por muitos: o de descaso por parte do poder público. O mesmo que levou ao sucateamento de toda a malha ferroviária de Mato Grosso do Sul.
Entre 2006, quando a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) concedeu ao governo do estado a exploração do transporte de passageiros no trecho da ferrovia entre Campo Grande e Corumbá, e 2015, época em que os passeios promovidos pela empresa paranaense Serra Verde Express foram definitivamente encerrados, foram gastos alguns milhões de reais pelo poder público e pela iniciativa privada para tornar a operação da linha, que durou seis anos, viável. Todo este dinheiro, contudo, foi jogado fora, e transformou-se em ruínas.
Atualmente, a estação do Trem do Pantanal está, pelo menos no papel, sob os cuidados do governo do Estado. Na prática, não há quem cuide do patrimônio público, que tornou-se alvo de vândalos, usuários de drogas. A Serra Verde Express informou ter planos para retomar o passeio, mas todos eles ainda são muito genéricos, e envolvem negociação com os governos estadual e federal
O abandono da estação é somente uma das faces do descaso da administração pública com seu patrimônio. A Rumo, concessionária das ferrovias que passam por Mato Grosso do Sul, não demonstra nenhum interesse em manter a estrada de ferro em boas condições. Sem segurança, os trens quase já não circulam pelos caminhos que ajudaram a desenvolver o economicamente todo o Estado.
O abandono da estrutura do Trem do Pantanal é um alerta para os governantes que desdenham empreendimentos, como ocorre, por exemplo, com o Aquário do Pantanal. O governador, Reinaldo Azambuja, que ainda não se posicionou com firmeza sobre a continuidade das obras, paralisadas desde 2015, corre sério risco de um dia, responder por essa omissão.
Se são necessários aproximadamente R$ 40 milhões para concluir o aquário, algumas centenas de milhões de reais já entraram nos cofres estaduais desde a paralisação da obra, seja na forma de verbas extras do governo federal, ou no saque bilionário dos depósitos judiciais.
Sim, há prioridades em setores como saúde e educação, mas o prédio de concreto e acrílico levantado no Parque das Nações Indígenas, na Capital, deveria, um dia, ser concluído e deixar de ser um monumento ao descaso.
A julgar pelo abandono da estação ferroviária e do Aquário do Pantanal, o turismo na Capital parece estar, assim como estas construções, em ruínas.