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Luiz Fernando Pinto: "Corrupção e hipocrisia"

Luiz Fernando é físico e administrador

Redação

15/01/2017 - 00h00
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Corrupção e hipocrisia são praticas e atitudes que andam de mãos dadas desde todo sempre com origem na Grécia antiga, continuadas no Império Romano, assemelhadas a mais antiga atividade econômica autônoma, a prostituição. Portanto não se trata de uma exclusividade tupiniquim!  

A corrupção é o ato de obter vantagens em relação a outrem por meios antiéticos, ilegais ou ilícitos e é próprio das pessoas que se veem acima da lei, desprovidas de caráter e valores, ou virtudes necessárias à harmonia e convivência em sociedade.

Ela se denomina ativa ou passiva e que se configura entre aquele que propõe uma ação ilegal em seu benefício e aquele que aceita a execução da ação ilegal em troca de dinheiro, presentes ou outros serviços que também lhe beneficie, envolvendo em ambas as partes ao conluio, a irresponsabilidade, a conivência, e a certeza da impunidade.

Onde existem pessoas, poder, dinheiro, descontrole, existe a oportunidade para a prática da corrupção, A hipocrisia sempre se encontra presente nesses atos e se caracteriza pelo fingimento, a falsidade, a dissimulação do golpe, e o convencimento de um bom negócio. 

No entanto a hipocrisia a que me refiro é aquela relacionada aos que dissimuladamente se mostram possuidores de uma verdade incontestável e de qualidades morais acima das normas e costumes vigentes e que se surpreendem com as mazelas alheias como se estivessem isentas de responsabilidade das praticas de corrupção corriqueira e inevitavelmente alheia ao seu conhecimento.

Em síntese a figura atual do hipócrita é de alguém de meia idade que viveu os “anos dourados” como um desinformado ou alienado que hoje oculta a realidade vestindo uma máscara de aparência fingindo comportamentos de retidão que não lhe são inerentes. 

Desconheciam até então que as empreiteiras viveram em função dos lobbies, esquemas, propinas, davam mimos, useiros de caixa dois, fraudavam concorrências, compravam autoridades, elegiam candidatos, e evadiam divisas para paraísos fiscais e que os investigados pertencem a 3ª geração (um século) de patronos dos sucessivos governos. 

Acreditam que a corrupção brasileira é nova e depende seletivamente de alguns partidos e de certos políticos e que os vazamentos de informações, as escutas clandestinas e as noticias divulgadas sobre investigações judiciais não são orquestradas, e que por vezes atendem a interesses escusos. 

Descobriram que as facções e organizações criminosas dominam os presídios e que as prisões só dessocializam; que as milícias controlam as comunidades, que os traficantes dependem dos usuários; que armas drogas e celulares voam além dos muros sem interferência e longe das vistas dos carcereiros; que as autoridades indicadas para exercerem suas funções são escolhidas por mérito, sem qualquer tipo de apadrinhamento ou nepotismo.

Creem piamente que a previdência é deficitária, assim como os impostos que a subvencionam e que um aposentado de hoje depende da contribuição de seis trabalhadores desempregados, como se ele não tivesse contribuído por anos, sendo dele a obrigatoriedade de cobrir o rombo causado pela apropriação indébita dos recursos por meio da DRU. 

Pensam que as leis do mercado salvarão seus empregos, que o estado não deve regular nada, que a mais-valia (disparidade entre o salário pago e o valor do trabalho produzido) deve reger as regras sociais trabalhistas. 

Ó hipócritas, que passaram a vida dançando “Besame Mucho” (Ray Conniff), a ”A Volta” (Vips), rindo com “O Otário” (Jerry Lewis) e “O Jeca e a Freira” (Mazzaropi), ouvindo “Banho de Lua” (Jovem Guarda) e cantarolando “Eu te amo meu Brasil” (Dom e Ravel), ainda a tempo de acordarem desse pesadelo e fazerem uma reflexão séria do momento atual e deixem de se surpreender como o astronauta no Planeta 51*.

(*) o planeta 51 é habitado por pequenas criaturas verdes que vivem em uma espécie de versão sossegada da América dos anos 1950 e têm um medo absoluto de uma invasão alienígena e que surpreendem  o astronauta que nele aterrissa.

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