Com o agravamento das dificuldades financeiras do setor público, espera-se dos administradores ações precisas para ajudar a tirar cidades, estados e o país da crise.
Para servidores de 29,1% dos municípios de Mato Grosso do Sul, o ano começou mais difícil. Sem 13º salário ou pagamento do mês de dezembro em sua conta bancária no prazo estabelecido. O levantamento do Correio do Estado publicado nesta edição, é apenas um indicativo das dificuldades previstas para o ano de 2017.
A crise econômica lançará dezenas desafios para os 79 prefeitos que tomaram posse no dia 1º deste mês, para quatro anos de gestão. O cenário não é dos mais fáceis: projeções de arrecadação estagnada ou em queda, pressão por aumento de gastos por parte do funcionalismo e cobrança da sociedade, que espera, em todas as cidades de Mato Grosso do Sul, serviços que tornem o cotidiano dos que vivem nelas mais fácil e organizado.
O caminho para gestões eficientes, que caiam no gosto da população está na máxima: gastar pouco, mas gastar bem. O dinheiro curto vai exigir, como nunca, disciplina e criatividade dos gestores. A primeira é necessária para aumentar a arrecadação, e ideias como a cogitada pela administração de Campo Grande, de negativar devedores de tributos, deve ajudar a melhorar a situação financeira, no médio prazo. Criatividade é necessária para implantar projetos eficientes e abrangentes, investindo o mínimo possível de recursos financeiros. Parcerias com a iniciativa privada, e ações preventivas nos setores de saúde e educação, são muito bem-vindas.
A crise chegou em 2015, e tem se recusado a ir embora. Para os gestores, não há mais espaço para reclamar dela. O tempo é de ação, para combatê-la. Nos municípios, o estímulo ao setor de serviços, e a busca de parcerias, com bancos e com a União, para aquecer o mercado imobiliário é fundamental para aumentar a receita com tributos. Os impostos que irrigam os cofres da prefeitura dependem de um movimentado setor de serviços, tributado pelo ISS, e de intensa atividade mercado da habitação, com os Impostos sobre Transação de Bens Imóveis (ITBI) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
O que não pode mais ocorrer é o comportamento nocivo às contas públicas de muitos gestores que se despediram de suas atividades no ano passado. Eles simplesmente esperavam pelo dinheiro oriundo de repasses federais e estaduais. Não lutavam por receita própria. Para se ter uma ideia, sem os repasses federais, e as verbas “extraordinárias”, como a da repatriação de recursos que estavam no exterior, um número ainda maior de prefeituras teriam deixado de cumprir com suas obrigações. Foi esse dinheiro não esperado que aliviou o caixa dos 23 municípios que ainda não conseguem pagar seus servidores em dia. Não fosse ele, a situação estaria pior.
Com o agravamento das dificuldades financeiras do setor público, espera-se dos administradores ações precisas para ajudar a tirar cidades, estados e o país da crise. Este setor foi o último a ser atingido pela recessão que já criou um cenário desolador no setor empresarial produtivo.