Saúde mental um tema pouco discutido e mal resolvido na nossa sociedade.
Além de pouco conhecimento acerca dos transtornos mentais que acometem alguns indivíduos, ou melhor, 23 milhões de pessoas no Brasil1, o que não é pouco; somos muitos à espera de remédios ou tratamentos alternativos que promovam a cura – embora os resultados obtidos em casos conhecidamente de nosso convívio, revelem a ineficácia dos tratamentos até aqui utilizados. A ciência ainda não avançou o suficiente para propagarmos o fim desses males à população portadora de transtorno mental.
São muitas as histórias para contar desde que sou menina de pessoa da família, vizinhos, amigos que mergulharam em outro mundo e de lá não saíram.
O que nos leva a sermos acometidos por transtorno mental? Hereditariedade? Uso de drogas? Estresse? Ou simplesmente mudanças na química cerebral?
Temos na história do nosso país um escritor que relatou a convivência cruel no manicômio – “O Alienista” de Machado de Assis. “Acompanhamos“ a luta antimanicomial, que culminou numa política pública das mais avançadas com a instituição dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPs) que hoje atendem em todo o país milhares de pessoas. Apesar disso, a realidade dos números de leitos oferecidos em hospitais gerais no Estado de Mato Grosso do Sul ainda deixa a desejar, pois as necessidades dos portadores de transtorno mental atendidos pelo SUS são maiores do que a oferta que realmente temos.
O transtorno mental acomete pessoas de todas as faixas etárias e independe de sexo, religião ou classe social. Por isso devemos, enquanto sociedade, buscar conhecer melhor de que forma se dá o atendimento e suas implicações no bem-estar de todos, conforme assegura a Constituição Federal na sua seção dirigida à saúde.
Os CAPs oferecem um serviço novo e ainda carecem de adequação à política instituída pelo Ministério da Saúde, por meio da Lei n. 10.216, regulamenta pela Portaria 336. Há muito que ser realizado, cabe a sociedade como um todo acompanhar a evolução da implantação dos serviços voltados para o referido atendimento.
Nós, da Associação Nise da Silveira, desejamos obter dados que nos levem a cumprir o nosso objetivo que é o de informar à população sobre a realidade do serviço de atendimento psicossocial. Estamos começando e temos o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande/MS, em especial a Coordenadoria de Saúde Mental, que prontamente nos atende quando solicitamos. Mas ainda há muito o que construir, para alcançarmos dados ideais para atendimento pleno da questão.
“Janeiro Branco” é o que nos traz aqui. Um movimento de caráter nacional que chama a atenção para a questão da saúde mental, apesar do exíguo tempo que temos, gostaríamos de deixar aqui registrado um ponto para a reflexão e conhecimento de que estamos preocupados e queremos nos ocupar com a melhoria dos serviços prestados em parceria com algumas entidades que isoladamente já realizam atividades pontuais.
Nesse sentido, nosso rumo é nos unirmos, buscando o fortalecimento da causa, que só será possível se a sociedade também participar dessa discussão que nos aflige, nos cabe, nos responsabiliza, nos acomete, nos atinge direta ou indiretamente. Por isso deve ocupar a centralidade na pauta das discussões sobre as questões da saúde.
E que Tupã, Alá, Rá, Amon, Buda, Deus nos ajude, mas como disse Clarice Lispector: o melhor ainda estar por ser escrito.