Nos último século, a humanidade observou com espanto e completa incredulidade o avanço da medicina em todas as áreas. Ações que eram praticamente impossíveis há apenas cinco décadas, incluindo transplantes e cirurgias complexas, se tornaram rotineiras no mundo todo. Entretanto, mesmo com todas as impressionantes descobertas, os seres humanos ainda sofrem em demasia com órgãos que param de funcionar, células que perdem sua função biológica e traumas que quebram estruturas, nos tornando doentes e inválidos.
Objetivando corrigir tais efeitos que até então deveriam ser humanamente e fisiologicamente incorrigíveis, surge a medicina regenerativa. Esta área consiste em um grupo de técnicas e tecnologias que podem ser usadas em conjunto para recuperar a fisiologia humana, devolvendo a um paciente doente a sua condição original.
As raízes da medicina regenerativa foram plantadas há milhares de anos atrás, no fértil solo cientifico da Índia. Em um texto dos primórdios dos livros médicos, datado do ano de 600 a.C., o cirurgião Susruta discute em detalhes a possibilidade e efetividade da reparação cutânea, detalhando métodos para reparar lobos da orelha e até mesmo a reconstrução de narizes. Entretanto, somente no início do século XX, a regeneração tecidual pode ser associada a parâmetros genéticos.
Após a descoberta das células-tronco na década de 60, observou-se um avanço monstruoso nesta área por todo o mundo, abrindo uma vertente de cura para múltiplas doenças e reconstrução de órgãos danificados e destruídos. Entretanto um magnífico e intrincado desafio ainda se mantém quando o alvo consiste no sistema nervoso central, dada a sua dificuldade de reparação. Por outro lado rápidos avanços também tem sido observados na cura de diabetes tipo 1 utilizando células-tronco.
Em 2010, utilizando também células-tronco, córneas puderam ser reparadas, devolvendo a visão a pacientes. Apenas cinco anos depois do desenvolvimento, o tratamento para córneas danificadas chega ao mercado americano com o produto intitulado Holoclar. Este viria a se tornar a primeira terapia utilizando células-tronco a ser comercializada.
Entretanto nem só de células-tronco tem sido feita a medicina regenerativa. Por exemplo, na década de 80 a primeira regeneração cutânea utilizando pele sintética foi alcançada. Em 2006 a ciência também obtém êxito em órgãos com maior complexidade. Anthony Atala, um cirurgião americano consegue construir uma bexiga humana e posteriormente a transplantar a pacientes com defeitos congênitos de nascença. Além disso, também podemos citar para este fim, o fantástico avanço das impressoras 3D, que podem ser utilizadas para construir tecidos e órgãos que podem ser usados como se fossem originais.
Finalmente, especialistas têm buscado alternativas para o futuro da medicina regenerativa, uma vez que inúmeros problemas infelizmente ainda não podem ser resolvidos. Neste sentido, muitos deles têm focado seu aprendizado em conhecimento natural, objetivando entender, por exemplo, como hidras e salamandras facilmente conseguem repor órgãos e tecidos perdidos. Desta forma, embora estejamos avançando passo a passo neste campo, temos muito a aprender e certamente a natureza muito a nos ensinar. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.