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OPINIÃO

Ruben Figueiró: "Nas águas de janeiro"

Ex-senador da República

Redação

01/02/2017 - 01h00
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Escrevo apreciando a praia da enseada conhecida por Iporanga, no litoral paulista. É janeiro do ano de fundadas expectativas de ser diferente do furibundo que passou. O convívio entre familiares e amigos dá-me um conforto íntimo, revigora as forças, porém não me leva ao otimismo tão almejado para esse ano novo. 

Ainda cedo, vislumbro nas nascentes luzes do sol, seus primeiros lampejos no horizonte das águas plácidas do Oceano Atlântico, penso como será difícil a nós brasileiros colocar nosso país no azimute certo, respeitados os ditames da democracia, para implementar diretrizes eficientes capazes de debelar os malefícios (já estratificados) da política, das chamadas ordem econômica, previdenciária, trabalhista, da oxigenação dos chamados poderes institucionais, uns já centenários outros oriundos de nossa Carta Magna – recente e já marcada pela plástica das Emendas.

Atenho-me àquele do qual participei por longos anos. Muito me esforcei para a missão constitucional a mim imposta. Fí-lo  com extrema dedicação, talvez infringindo a modéstia, obtive o respeito de meus concidadãos. Tal dá-me abertura para uma confissão: Nunca na história deste país se conspurcou tanto quanto a autoridade do Poder Legislativo e muito contribuiu a progressiva falência dos partidos políticos. Direi do de casa: Do meu PSDB.

Vejo com tristeza ele se afogando na piscina rasa das vaidades sob a conveniência de seus líderes de ocasião. Dentre outros exemplos, está a recente tentativa de obstruir as pretensões legítimas do governador Geraldo Alckmin. Incrível! Com o apoio (se comenta velado) de quem deveria ser sempre o elo de união partidária – FHC. Lamento que o PSDB esteja desprezando a oportunidade de conquistar o poder presidencial nas eleições de 2018, quando teria a oportunidade de implantar o seu corolário de ideias entre as quais o regime parlamentar de governo.

Fala-se muito na Praça dos Três Poderes em Brasília, o conselheiro Acácio e a dona Candinha divulgam versões de que haverá uma profunda reforma política e eleitoral com transformações de pureza granítica para a legitimidade do voto e das agremiações partidárias; com eficientes desinfetantes para excluir pela eficiência do voto os atuais marginais que tanto enodoam a vida pública. Isto creio em termos limitados, principalmente se escoimarem do texto da lei eleitoral o voto de legenda também conhecido como proporcional à votação do partido ou da coligação que porventura participar. Que se implante o voto distrital, voto unipessoal, onde o eleito estará sempre sob o crivo crítico do eleitor pertencente ao distrito eleitoral.

Com a manutenção do atual sistema eleitoral, mesmo com alguns retoques faciais, envelhecido desde sua criação pela Carta de 1934, reiterado pelas Constituições a ela posteriores, nada mudará, ficará tão envelhecida como a Sé de Braga. Talvez multiplicarão as presenças daqueles atores e que tem o couro mais duro do que os rinocerontes.

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