O abandono do Aquário tornaria-se o ponto fraco de Azambuja na disputa pela reeleição, pois representaria desprezo aos campo-grandenses que aguardavam essa obra.
O discurso mudou. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) passa a tratar o término do Aquário do Pantanal como uma das prioridades de sua gestão. Tanto que, para dar ênfase a essa meta, o secretário de Obras, Marcelo Miglioli, fez questão de exaltar que, se necessário, até ele e o governador vão trabalhar no empreendimento. Mais uma consequência do recado das urnas, que parece ter sido ouvido.
A derrota da candidata do PSDB, Rose Modesto, na disputa pela Prefeitura de Campo Grande, demonstrou que a atual gestão estadual estava no caminho errado. Ainda, as especulações de que o ex-governador André Puccinelli pretende entrar na disputa, em 2018, para tentar retornar ao Governo, certamente, devem ter gerado temor no ninho tucano e influenciado na mudança de postura.
No dia 26 de outubro do ano passado, Azambuja sinalizou que não deveria concluir a obra. À época, afirmou que “em uma hora em que você tem restrições de recursos, é preferível construir hospital a concluir o Aquário”. A declaração repercutiu negativamente.
No Portal Correio do Estado, centenas de leitores comentaram a incoerência da decisão. Afinal, dinheiro público estaria sendo desperdiçado. A construção já consumiu R$ 230 milhões e não havia lógica em abandoná-la faltando pouco para conclusão. Obviamente, investir em saúde é importante e deve ser priorizado, mas sem esquecer de outros setores que também são cruciais até mesmo para fomentar a economia. O Aquário, por exemplo, será forte atrativo turístico para a Capital.
Agora, a ideia é formalizar parceria para que o Consórcio Cataratas - que já tinha sido escolhido para gerenciar o Aquário - também assuma responsabilidade para concluir a parte estrutural. Pelos levantamentos, seriam necessários R$ 50 milhões para todo o empreendimento. Valor, inclusive, que não para de aumentar. Quando encerrou o mandato, Puccinelli deixou R$ 34 milhões para finalizar a obra. O secretário de Obras chegou a declarar que a quantia seria suficiente. Depois, os cálculos foram revistos e o preço voltou a subir, como ocorreu desde o anúncio da construção. Começou orçado em R$ 84 milhões e saltou para os exorbitantes R$ 230 milhões. Obra marcada por contradições e dúvidas ainda não esclarecidas.
Incomoda que essa clareza ainda não tenha sido alcançada. Ao falar da parceria com o grupo Cataratas, várias incógnitas surgiram, inclusive em relação à destinação do dinheiro que já estava reservado para a obra. Também causa inquietação a dificuldade do Governo em assumir esse trabalho, tendo de recorrer à iniciativa privada. A crise econômica transformou-se em justificativa recorrente para estagnação de investimentos. Tanto que hoje são pouquíssimas as obras em andamento no Estado e a maioria restringe-se ao Fundersul, fundo mantido pelos produtores rurais.
O abandono do Aquário tornaria-se o ponto fraco de Azambuja na disputa pela reeleição, pois representaria desprezo aos campo-grandenses que aguardavam essa obra e desleixo com dinheiro dos contribuintes. Ainda mais num eventual enfrentamento com seu idealizador. A população já deu seu recado e, enfim, parece estar sendo ouvida.